quarta-feira, 8 de maio de 2013

ONG é primeiro alvo de nova lei na Rússia


Lilia Shibanova, diretora da Associação Golos, diz à Folha que organização foi classificada como "agente estrangeira"

Nova lei é vista por ativistas como uma forma de o presidente Vladimir Putin cercear trabalho da oposição

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU

No mês passado, um dia antes de completar 13 anos, a Associação Golos (cujo nome em russo tem dois significados, "voz" e "voto") foi condenada por não se registrar como "agente estrangeiro".

Com a condenação, a ONG, que monitora eleições, terá que pagar R$ 19.200 de multa, e sua diretora, Lilia Shibanova, R$ 6.400.

A Golos foi a primeira julgada segundo uma lei aprovada durante o novo mandato do presidente Vladimir Putin que exige que todas as ONGs baseadas no país utilizando fundos provenientes do exterior e exercendo atividades políticas se autodenominem como "agentes estrangeiros".

Lilia falou à Folha sobre a pressão do Kremlin sobre ONGs.

Folha - Qual a posição do Golos quanto à condenação?
Lilia Shibanova - Juridicamente, eu tenho 100% de convicção de que não temos nada a ver com esse caso, porque, em primeiro lugar, o Golos não recebeu financiamento do exterior. Nesse período, recebemos apenas o Prêmio Sákharov, e rejeitamos o parte do dinheiro.
No que diz respeito às queixas sobre atividade política, eles estão indiciando outra organização, é a organização Golos de Moscou, que conduziu o projeto há dois anos e já não existe.

Qual o problema em encontrar ações políticas nas atividades dessas organizações?
A ação política é um problema quando relacionada a partidos políticos, que realmente não podem receber dinheiro do exterior. Mas existe uma lei completamente diferente para partidos políticos.

A condenação pode estar relacionada com o grande papel que o Golos teve no monitoramento das eleições para a Duma em 2011 e os grandes protestos desencadeados pela revelação das fraudes?
O Golos nunca teve nenhuma relação com a organização dos protestos, já que é uma organização de especialistas, de defesa dos direitos humanos, e não uma organização política.
Talvez os cidadãos que tenham visto nosso "Mapa das Infrações", nossos vídeos filmados nas seções eleitorais, ou o que acontece no período de campanha, isso tudo pode ter tido influência sobre a sociedade.

Pode-se dizer que o Golos está sendo perseguido pelas suas ações?
Infelizmente sim, sentimos isso já há muitos anos. Há pressão sobre os nossos coordenadores regionais, com encontros com o FSB [Serviço Federal de Segurança, que substituiu a KGB], verificações sem fim que se realizam nos nossos escritórios. Acredito que essa lei sobre "agentes" é totalmente voltada a exterminar organizações como o Golos.

O Human Rights Watch lançou um relatório nesta semana sobre as pioras nos direitos humanos na Rússia após a volta do presidente Vladimir Putin ao poder. Você concorda que a situação tenha piorado?
Desde que Putin voltou ao poder, estamos repetindo a experiência de Belarus [ditadura vizinha] depois das eleições. Eu acredito que seja uma política burra, porque, enquanto mobiliza uma parte do eleitorado, por outro lado isso origina uma onda de protestos.

Eu vejo que está tudo encaixotado neste escritório. Vocês estão se mudando?
Infelizmente estamos nos mudando pela terceira vez em três anos. Eu acho que simplesmente os inquilinos são impelidos a fazê-lo porque há "estruturas" que precisam nos atrapalhar.

Você já foi ameaçada diretamente?
Já escreveram na internet, ou na parede, mas nunca sofri ameaças diretas. Depois das eleições [para a Duma] de dezembro [de 2011] apareceu escrito "Shibanova, morra!" na parede do meu prédio.
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Na Folha de S.Paulo

sexta-feira, 3 de maio de 2013

On Location Moscow: Exposing spies or suppressing dissent?

Filming, editing and reporting by Marina Darmaros



No Global Post

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Parque Kolômenskoe (com emoção, por favor)

O lindíssimo Parque Kolômenskoe, em Moscou, de tão grande atravessa o espaço entre duas estações de metrô. Enquanto na calma Estação Kashírskaia pode-se visitar a reconstituição do que fora um dia o Palácio do Tsar, com a inovação de um trono protegido por dois cafonas leões que rugem com o acionar do controle remoto da tiazinha que inspeciona a sala, a Estação Kolomênskaia, na outra ponta do parque, é um poço de emoções fortes, com muitos bêbados, mendigos e shows de rock no meio da calçada. No final de semana passado, a atração ficou por conta da apresentação deste bêbado, que fiz questão de filmar até que o cachorro de um mendigo tentar engolir o salsichinha de uma transeunte atrás de mim...


E aqui o show de horrores dos leões protegendo o trono do tsar no seu falso palácio reconstruído do zero:

terça-feira, 23 de abril de 2013

Ligação dos irmãos Tsarnaev com movimentos separatistas tchetchenos é investigada

Com o início do interrogatório de Djohar Tsarnaev, suspeito de ter cometido, junto com seu irmão Tamerlan, o atentado que deixou três mortos e 176 feridos na maratona de Boston, as investigações privilegiam a pista dos extremistas religiosos tchetchenos. Os irmãos Djohar e Tamerlan Tsarnaev são provenientes da ex-república soviética separatista. Nossa correspondente na Rússia, Marina Darmaros, esteve em Makhatchkala, no Daguestão, onde vivem atualmente os pais dos suspeitos. Ela conta neste programa como está o clima na região e explica que Tamerlan Tsarnaev já era vigiado pelo FBI devido a suas possíveis ligações com grupos separatistas do Cáucaso que poderiam estar por trás do atentado. A jornalista aponta, no entanto, que os pais dos dois suspeitos rejeitam com veemência as acusações contra os filhos deles.

domingo, 21 de abril de 2013

Irmãos Tsarnaev

Produção para o Fantástico em Makhatchkalá, Daguestão.

A história dos dois irmãos suspeitos de explosões nos Estados Unidos quase não alterou a habitual frieza de Makhachkala, a capital do Daguestão. Afinal, o lugar faz parte de um punhado de ex-repúblicas soviéticas que ainda lutam pela independência em relação a Moscou.
Por lá, atentados fazem parte da rotina.

sábado, 23 de março de 2013

Atentado contra diretor do balé Bolshoi joga luz em rede de intrigas e levanta suspeitas


MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU
MATHEUS MAGENTA
DE SÃO PAULO

Disputas por poder, pressões e ameaças por papéis em espetáculos, intrigas entre colegas, suspeitas de corrupção e da existência de uma rede de prostituição.

Facilmente encontrados em clássicos da literatura russa, esses elementos romanescos hoje fazem parte da crise vivida pelo Teatro Bolshoi desde janeiro, quando o diretor da companhia de balé mais famosa do mundo, Sergei Filin, sofreu um atentado.

A prisão, no último dia 5, de três suspeitos do ataque feito com ácido --entre eles, Pavel Dmitrichenko, bailarino do Bolshoi-- não foi suficiente para estancar os desdobramentos do caso.

Na sexta-feira (22), o Tribunal de Contas da Federação Russa anunciou que fará auditoria dos gastos do teatro após denúncias de corrupção envolvendo Filin e diretor-geral do espaço, Anatoli Iksanov. Não está claro se a medida tem relação com o atentado.

A notícia que ocupou as manchetes dos jornais nesta semana, no entanto, foi a declaração polêmica da ex-bailarina Anastassia Volotchkova, que se tornou célebre depois de dizer que foi demitida do balé em 2003 por ter sido considerada "gorda".
Aproveitando a onda de denúncias envolvendo a instituição, Volotchkova disse no último domingo à emissora NTV que as turnês do balé são uma fachada para a prostituição das bailarinas.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Conheça Rafael Filinov, apontado por Kia como real investidor da MSI/Corinthians

Marina Darmaros 
Do UOL, em Moscou (Rússia)

Simpático, porém recluso. É assim que Rafael Filinov, 45 anos, mostrou-se à reportagem do UOL Esporte. Não é para menos, já que o empresário, um dos muitos oligarcas russos que enriqueceram de maneira desconhecida nos anos 1990 após o fim da União Soviética, está sendo apontado no Brasil como o real investidor da parceria MSI/Corinthians, investigada por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Depois de quase uma semana de negociações com assessoras e assistentes para uma entrevista, o próprio empresário explicou que não falará à imprensa. “Estou enfrentando um processo judicial, você entende. Meus advogados não me autorizaram a falar nada agora”, disse pelo telefone à reportagem.

Após cinco anos de investigação, Kia Joorabchian disse em depoimento à Justiça Federal que Rafael Filinov, empresário russo conhecido em seu país de origem pela ligação com Boris Berezovsky, é o real investidor da parceria MSI/Corinthians. No tribunal, a defesa do iraniano alega que o dinheiro aportado tinha origem legal e, por isso, a acusação de que houve lavagem de dinheiro e formação de quadrilha é incorreta. Os responsáveis pelo inquérito, no entanto, não estão convencidos da teoria.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Suspeitos de agredir diretor artístico do Bolshoi são indiciados na Rússia

O solista do prestigioso Balé Bolshoi, Pável Dmitritchenko, de 29 anos, cumpre prisão preventiva, após ter confessado em um vídeo ter sido o mandate da agressão com ácido sulfúrico concentrado contra Serguei Filin, diretor artístico da mesma companhia de dança.

 Três suspeitos do crime foram indiciados nesta quinta-feira, em Moscou. Dmitritchenko teria pago 1.630 dólares pelo ataque. O executante do crime e o motorista que levava Filin para casa na hora do crime também assumiram envolvimento no caso. Embora os suspeitos não tenham feito declarações sobre o que motivou a agressão, a polícia russa revelou que as relações de hostilidade entre o diretor e o bailarino no trabalho levaram ao crime.

A imprensa na Rússia defende outra versão, a de que Pável queria vingar a namorada, também bailarina do Bolshoi, que teria sido rejeitada por Filin para papéis principais. A correspondente da RFI em Moscou, Marina Darmaros, fala sobre a repercussão do caso na Rússia e a detenção dos suspeitos.


 

Na Radio France Internationale

quarta-feira, 6 de março de 2013

Stálin: Lado B

Minha matéria na capa da "Aventuras na História" de março:




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Negócios ofuscam questões de direitos humanos em visita de Hollande à Rússia

O presidente François Hollande iniciou seu primeiro dia de visita oficial à Rússia prometendo facilitar os investimentos russos na França. Para estimular as trocas comerciais entre os dois países, Hollande sugere que os empresários russos obtenham vistos mais rapidamente. Por outro lado, defendeu uma maior presença do “savoir faire” francês na Rússia, quarto maior parceiro comercial da França.

Em seu encontro com o presidente Vladimir Putin, o chefe de estado francês vai tratar sobretudo da crise síria. Mas, de acordo com nossa correspondente em Moscou, Marina Darmaros, a oposição espera que Hollande evoque problemas de Direitos Humanos no país como a condenação das cantoras do grupo de punk rock Pussy Riot.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Combatentes estrangeiros se unem à oposição ao ditador sírio


MARINA DARMAROS
WISSAM MOUKAYED
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM ALEPPO (SÍRIA)

Atendendo aos chamados do "jihad", combatentes estrangeiros têm se unido à oposição na Síria, levando adiante a "guerra santa" contra o ditador e o seu regime.

Em sua maioria, são muçulmanos sunitas vindos de países tradicionalmente islâmicos, como Egito, Líbia, Tunísia e Líbano. Mas há evidência também de que a Síria tornou-se destino de combatentes de outros locais.

"Vim para a Síria para o 'jihad', pois esse povo precisa de homens, precisa de gente, precisa de ajuda. Não posso ajudar os refugiados com dinheiro", afirma à Folha na cidade síria de Aleppo Abu Dawud, 28, um kosovar que se uniu a um grupo ligado ao batalhão Jabhat al Nusra.

De acordo com Abu Dawud, há diversos de seus conterrâneos lutando lado a lado com a oposição na Síria. Ele conta que deixou a mulher e os filhos no Kosovo, onde abandonou a faculdade de letras por falta de recursos.

"Amo minha mulher e meus filhos, mas vim ajudar esse povo. Todos no mundo que sentem em seus corações serem muçulmanos têm que ajudar esse povo", afirma.

Os "mujahidin" (aqueles que fazem o "jihad", em árabe), caso mortos, são transformados em mártires. Mas o "jihad" não compreende apenas a luta armada, como também qualquer tipo de apoio, como o prestado por jornalistas, doadores e ativistas.

Para Abu Abdu Zabadani, um engenheiro sírio expatriado na Rússia há 19 anos, porém, o dever de todos os sírios no exterior no momento é voltar à pátria para lutar.

"Não precisa dizer 'a gente apoia vocês moralmente, ou sei lá o quê'. Apoie-nos empunhando armas. Pode ser na segunda ou na terceira linha do fronte, não precisa ser na primeira linha", disse à Folha, em um hospital na cidade turca de Kilis, com um braço repleto de pinos e duas perfurações no pulmão.

Além dos kosovares, há entre os "muhajidin" guerreiros provenientes da Tchetchênia.

Um vídeo publicado no Al Manara ("O Farol", página do Facebook ligada ao Jabhat al Nusra) pela brigada dos jihadistas em Latakia, no Mediterrâneo, mostra um combatente tchetcheno e um tunisiano prestando homenagem a Abdullah Ash Shishani, proeminente guerrilheiro vindo da Tchetchênia.

Segundo os companheiros, Shishani vivia há anos escondido nas montanhas do Cáucaso, depois de ter sido preso em 2004, o que debilitou sua saúde. Na Síria, no entanto, ele criou o primeiro campo de treinamento de jihadistas imigrantes.

Ele morreu em janeiro ao rastejar sobre mina terrestre durante uma operação noturna, na cidade de Kassab.

Além do reforço de estrangeiros, especialistas têm observado que o apoio material também tem crescido entre os guerrilheiros. Há uma nova leva de armamentos de fabricação de ex-repúblicas iugoslavas, como contou à Folha Eliot Higgins, autor do blog Brown Moses, que monitora armamentos.

"Há pelo menos dois países vizinhos envolvidos nessa operação, e os EUA devem estar a par disso", afirma.
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Na Folha de S.Paulo


Estrangeiros se unem aos rebeldes sírios e lutam contra Assad

Marina Darmaros e Wissam Moukayed


No TV Folha

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Visita de Medvedev ao Brasil pode ajudar a suspender embargo russo à carne

A visita do primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev ao Brasil será a ocasião para o governo brasileiro tentar suspender o embargo da Rússia à carne produzida em três estados brasileiros – Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso -, devido a problemas sanitários.

A Rússia e os países com quem tem acordos alfandegários, Belarus e Cazaquistão, suspenderam a compra de carne brasileira onde foi detectada a presença de ractopamina, um produto utilizado na ração para promover o crescimento do animal.

Nossa correspondente, em Moscou, Marina Darmaros, explica que a presença do chefe do serviço fitossanitário russo, Serguei Dankvert, esta semana no Brasil aumenta as esperanças da suspensão do embargo à carne.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pesquisadores descobrem fragmentos do meteorito que atingiu a Rússia

Na última sexta-feira, um meteorito se desintegrou sobre a cidade de Tcheliabinsk, na região dos montes Urais, na Rússia. Cientistas da agência espacial norte-americana NASA calcularam que a quantidade de energia liberada na atmosfera foi 30 vezes maior que aquela produzida pela bomba nuclear que atingiu a cidade japonesa de Hiroshima no final da Segunda Guerra Mundial.

De acordo com as autoridades locais, cerca de mil pessoas ficaram feridas. Neste domingo à noite, pesquisadores russos anunciaram a descoberta de fragmentos do meteorito. A jornalista Marina Darmaros, correspondente da RFI na Rússia, explica neste programa que o esforço para consertar os estragos causados pelo meteorito envolvem vinte mil funcionários do governo russo. Ela também fala sobre as reações das autoridades russas sobre o incidente.
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Na Radio France Internationale

sábado, 16 de fevereiro de 2013

G20 rejeita guerra cambial e adia acordo sobre dívidas

Reuters
RFI

Com a colaboração de Marina Darmaros, correspondente da RFI na Rússia

A reunião dos ministros das Finanças do G20 foi encerrada neste sábado, 16 de fevereiro de 2013, em Moscou.

G20 promete não iniciar uma guerra cambial e adia a adoção de novos objetivos de redução de dívidas. Essas foram as principais decisões tomadas pelos ministros das finanças das 20 principais economias do mundo no final da reunião de dois dias em Moscou.

No comunicado final do encontro do G20, realizado em Moscou, os representantes das 20 maiores potências econômicas mundiais se declararam contrários a qualquer tipo de guerra cambial. As declarações têm em vista o receio gerado por políticas econômicas do Japão, que recentemente desvalorizou sua moeda para socorrer seus exportadores. Desde novembro, o ien já caiu 20%.O texto, porém, não cita o país claramente, o que aumenta as chances de continuidade dessa política.

As autoridades econômicas mundiais afirmaram ainda que resistirão a toda forma de protecionismo e manterão seus mercados abertos. Os representantes também se comprometeram a efetuar reformas ambiciosas e coordenadas. Entre essas, está a reforma que deverá construir um sistema financeiro mais elástico e mudanças estruturais.

De acordo com o comunicado, as economias mais avançadas também irão desenvolver estratégias fiscais em médio-prazo que serão anunciadas em São Petersburgo durante a cúpula dos líderes do G20 em setembro.A adoção de novos objetivos de redução de dívidas também foi adiada por causa da persistência da fragilidade da conjuntura mundial.

Na presidência do grupo em 2013, a Rússia declarou entre seus principais objetivos o desenvolvimento de medidas para um crescimento global sustentável, inclusivo e balanceado, além da criação de postos de trabalho.

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Na Radio France Internationale