sábado, 29 de março de 2014

"Sírios em Transição" no Festival International du Film Oriental de Genève

"Sírios em Transição" será exibido no Festival International du Film Oriental de Geneve. Nosso filme será exibido na Salle Simon, no dia 13 de abril, às 14h15, juntamente com "En Première Ligne Avec La Résistance Armée Syrienne" (FR) e contará com a presença do cientista político Wouhail Belhadj.




quinta-feira, 27 de março de 2014

Filme novo no Futura

Nosso novo filme, sobre o Daguestão, está sendo veiculado no Futura:

Dirigido por Marina Darmaros e Wissam Moukayed, o curta aborda o atentado à bomba na Maratona de Boston, que chamou a atenção do mundo para o Cáucaso do Norte, região separatista da Rússia de onde eram provenientes os responsáveis pelo ataque.

 Sob o ponto de vista de um jovem estudante daguestanês, a obra tenta explicar quem são e o que querem os habitantes de repúblicas russas caucasianas, que mantêm movimentos separatistas ainda sufocados pela Rússia por meio de incursões militares. O doc vai ao ar na quinta-feira (27), às 14h30.

Mais no site do Futura: http://www.futura.org.br/blog/2014/03/24/sala-de-noticias-apresenta-o-inedito-daguestao-a-republica-que-desafia-a-russia/

quarta-feira, 5 de março de 2014

Errado + errado = certo (?)

Durante a cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Sôtchi, um dos flocos de neve não se abriu para formar o quinto anel que simboliza as Olimpíadas. Foi uma falha técnica boba em meio a um espetáculo esplêndido, mas a mídia Ocidental não deixou barato: esqueceu toda a beleza e a sensibilidade da apresentação e não parou de falar no erro. Na cerimônia de encerramento, a Rússia mostrou jogo de cintura e fez uma brincadeira com a própria falha.

Contada até aí, a história seria linda, e a "mãe Rússia" sairia dela com uma maturidade e superioridade ímpares. O problema é que o canal "Rossiya-1", ao invés de se conformar com o erro, cortou a imagem de sua transmissão "ao vivo". Pode-se pensar que foi só um floquinho de neve, mas aquele, em especial, foi simbólico.

Anteontem, durante a reprise "completa" do Oscar pelo também estatal "Pérvi Kanal", foi a vez do ator Jared Leto ser censurado. Sua fala de apoio aos manifestantes da Venezuela e da Ucrânia nunca chegou aos aparelhos de TV dos espectadores russos.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Sírios em Transição" é finalista do INPUT, em Helsinki

Dois documentários do Futura estão entre as seis produções brasileiras selecionadas para o festival internacional INPUT (International Public Television): De Volta, vencedor do 3º pitching de documentários do canal, e Sírios em Transição, exibido no Sala de Notícias.

 A etapa nacional de seleção para este festival foi coordenada pela TAL , rede de TVs latino-americanas. Agora, as produções concorrerão na etapa internacional e, caso sejam indicadas, serão exibidas em maio durante a conferência INPUT, que é realizada em Helsinque, na Finlândia.

O evento reúne todos os anos realizadores e produtores de televisão dos cinco continentes, com o objetivo de exibir, discutir e analisar as novas e emergentes tendências da produção audiovisual, buscando fomentar valores sociais e humanos.

Sírios em Transição narra a trajetória de um ex-oficial do exército sírio exilado em Moscou, onde estuda Jornalismo. Ele retorna à terra natal para mostrar os horrores cometidos pelo exército de Bashar Al Assad que a TV russa tenta esconder. A direção é de Marina Darmaros e Wissam Moukayed.

Mais no site do Futura: http://www.futura.org.br/blog/2014/02/03/de-volta-e-sirios-em-transicao-producoes-do-futura-reconhecidas-no-festival-internacional-input/

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Rússia Contra a Arte

Matéria para a revista Superinteressante






sábado, 28 de dezembro de 2013

Musa punk contra o capitalismo

Anistiada por Putin, Nadejda Tolokonnikova, integrante do Pussy Riot que se corresponde com o filósofo esloveno Slavoj Zizek, trabalha em livro baseado em diários de prisão 

 Por Marina Darmaros



Nadejda Tolokonnikova, recém-anistiada integrante do grupo Pussy Riot, tornou-se uma das figuras mais polêmicas da Rússia contemporânea, sobrepujando até a colega de infortúnio Maria Alyokhina, detida com ela por cantar uma canção punk dentro da principal catedral do país pedindo a saída do presidente russo Vladimir Putin.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Louis Vuitton junta os trapos e deixa a praça

A marca Louis Vuitton conseguiu causar em Moscou ao instalar uma caixa gigantesca no meio da Praça Vermelha com o formato de uma de suas bolsas - na verdade, uma mala de viagem.


Imagem da tranqueira enorme que a Louis Vuitton instalou no meio da Praça Vermelha, cobrindo completamente a vista da Catedral de São Basílio

Depois de provocar a revolta de oficiais do Kremlin, do Partido Comunista, de ativistas antiglobalização, de babushkas saudosistas, de turistas que não conseguiam ver e fotografar a Catedral de São Basílio de frente e de quem mais se possa imaginar, a mala de 30 metros de comprimento por 9 metros de altura está sendo desmontada. Mas, claro, não sem antes ser trollada pelos russonautas.

Na imaginação de um russo menos elitista, que colocou no meio da praça a clássica bolsa de plástico xadrez usada por sacoleiros e imigrantes pobres no país como mala de viagem


Outro resolveu chamar a atenção para a reviravolta que o acontecimento deve ter causado no mausoléu de Lênin, que fica bem em frente à locação da mala gigante








Aí começaram a surgir fotomontagens com os últimos acontecimentos do país, e a instalação da famigerada bolsa virou um festival de bizarrices quase completo, com Gangnam style, o artista peladão que recentemente pregou os testículos no chão da praça etc.

Até que chegaram a esta versão final, que inclui até o presidente machão do país fazendo um voo descamisado em cima de um pássaro

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Inscrições abertas para levar a tocha em 2016!

Não preciso mais expressar minha admiração por russos inconformados aqui, preciso? Sim, preciso. Olha o que esse gênios fizeram com a tocha olímpica (aquela, que antes de atingir Sôtchi está rodando - a banca - na Rússia inteira, de norte a sul de leste a oeste, e até no espaço). É a versão russificada (e bem mais original) do "Imagina na Copa". Imagina em Sôtchi!

A imagem photoshopada causou confusão até entre os russos, que acharam que tocha no fiofió podia levar à prisão por "promoção de valores não tradicionais"
A solução definitiva para dar braçadas enquanto se leva uma tocha olímpica! Os russonautas arrasaram no Photoshop e enfiaram a tocha no local que achavam mais apropriado...

Mas não se assustem, a prática não é praxe das Olimpíadas, e - parece - não haverá uma seleção nacional brasileira para decidir quem carregará a tocha no fiofó em 2016 com envio de vídeos a la Big Brother para cada um mostrar suas habilidades!

Foto original do evento.

domingo, 20 de outubro de 2013

Câmeras em veículos flagram acidentes forjados na Rússia

Recurso se popularizou há cinco anos e é uma forma de provar a inocência em incidentes, principalmente quando a suposta vítima tenta armar farsa. 

Reportagem aqui.

sábado, 21 de setembro de 2013

Situação de ativista brasileira preocupa família

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A situação da bióloga brasileira Ana Paula Alminhana Maciel, 31, e de outros 29 ativistas do Greenpeace mantidos sob custódia pela guarda costeira da Rússia no oceano Ártico desde anteontem permanece incerta.

A embarcação Arctic Sunrise, na qual os membros da ONG faziam um protesto contra a estatal russa de gás e petróleo Gazprom quando foram rendidos, só deve chegar em terra na segunda-feira.

Até a conclusão desta edição, o Greenpeace não tinha conseguido fazer contato com a embarcação.

"Não vou dizer que ela [Ana Paula] esteja se divertindo, porque eles estão sob a mira de armas, mas sei que está certa do que está fazendo, não está pensando em desistir. A gente, como família, fica com o coração na mão", disse à Folha Telma Maciel, 32, irmã de Ana Paula.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Review de "Sírios em Transição" no Frontline Club

Nosso filme "Sírios em Transição" recebeu um review bacana no site do Frontline Club. Confira aqui.

While the world watches the unfolding crisis in Syria, on Friday 13 September the Frontline Club hosted a special series of short films made in and around the conflict zone.

Through the lens of each filmmaker, the selection of five short documentaries explored the different ways in which the choices they make, and the framing of their subjects, influence the so-called contract with the viewer.

(...)

Directed by Marina Darmaros and Wissam Moukayed, Transition is a deeply personal account of the filmmaker and former Syrian Army officer Moukayed, who left his country to study journalism in Russia. As he did not feel the Russian media were telling the full story, he went back to his home country to see with his own eyes what is going on. The film offered a fascinating account of the conflict in light of Russia’s growing involvement in the crisis.
Transition raises questions surrounding the dichotomy between subjectivity and objectivity in documentary filmmaking, as Moukayed is both the filmmaker and to a certain extent becomes the subject of his own film. Not Anymore: A Story of Revolution can be viewed as another example of this dichotomy. Director Matthew VanDyke has strong relationships with the people whose lives he portrayed and his own involvement is also a part of the story.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Nosso filme na Síria no Fronline Club em Londres

Mais atual ainda agora, nosso curta-metragem na Síria será exibido novamente no Frontline Club, em Londres, no próximo dia 12 de setembro. Aos interessados em assistir, me escrevam: marinafonda@gmail.com

Transition (RU) follows former Syrian Army officer Wissam Moukayed, who left the country to study journalism in Russia, the only state that would grant him a visa. Suspecting the Russian media does not tell the full story of the situation in his home country, he decides to go back and see for himself.
Directed by Marina Darmaros and Wissam Moukayed
Duration 15′ | Year: 2013


Mais informações no site do Frontline Club.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Madrasta Rússia Contra os Negros

"Alugo urgentemente quarto (apenas para eslavos)", lê-se no site de um dos principais jornais de anúncios moscovitas.





Estou em Moscou novamente. Não é Moscou, obviamente, que me atrai. Muito menos os russos. Ou o tempo. Poderiam ser os doces, quem sabe as ovas, o caviar barato. Mas uma ova!

Acho que uma coisa é fundamental quando escolhemos um país para viver, e, na minha opinião, deve ter um grande peso sobre nossa decisão. Diria que 90% dos nossos motivos devem se basear neste, que são as pessoas que habitam tal país. E é essa uma das razões pelas quais eu não acho que a Rússia seja um bom país para se viver.

A culpa pode não ser completamente dos russos, bombardeados por uma propaganda xenófoba e preconceituosa. Mas a verdade é que os russos são reflexo (ou refletem?) esse tipo de pensamento todo o tempo.

Cheguei nesta madrugada à Rússia. Fiquei bastante feliz. Moscou está verde, cheira a árvores e flores e coisas frescas que remetem a um renascimento. Os russos, como sempre acontece no verão, parecem até alegres - exceto, claro, as atendentes de metrô e vendedoras de sorvete, que não vencem o mau humor nem nesta época do ano. Mas, muito além da agora famigerada "Lei Antigay", outros preconceitos pululam sob suas peles eslavas.

Hoje fui à farmácia com uma amiga angolana que aqui vive há muitos anos, mais de sete, para ser precisa. Ela pediu à atendente, em russo correto, um gel para dor. Mas recebeu um creme pós-sol da Vichy. A senhora loira e cheia de rugas atrás do balcão, sem qualquer pudor, abaixou a cabeça e começou a gargalhar. Tive que me segurar para não jogar o creme na cabeça da indivídua.

Obviamente, não foi a primeira vez que vi uma demonstração clara de preconceito tratada como comportamento comum no país.

É assim que a Rússia trata seus visitantes - exceto, claro, seus amados europeus, que tanto os desprezam. Basta olhar os anúncios de apartamentos. "Eslavos", eles exigem com todas as letras, de seus pretendentes a inquilinos. Isso exclui quaisquer cidadãos dos seus vizinhos da CEI - aqueles terminados em "ão" (Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão etc.) - africanos, latino-americanos, não brancos em geral e parte de seus próprios habitantes, aqueles do Cáucaso do Norte, por exemplo. Se você acha que foi bem tratado, provavelmente perdeu parte do que lhe foi dito por ali.

Escrever uma reclamação não adianta. Levar à Justiça seria uma piada ainda maior para o humor russo. Claro que generalizar seria um erro, pois existem - ainda que não muitas - exceções. Mas minha lista de países para se viver tem candidatos melhores. 

sábado, 10 de agosto de 2013

A imprensa na era Putin

Atentados contra jornalistas diminuíram nos últimos anos, mas crimes bárbaros permanecem na memória recente do país

Por Marina Darmaros*

No topo da base de dados online journalists-in-russia.org, sobre os profissionais do setor assassinados no país, uma foto intriga. Nela, um homem forte, de cabeça raspada e camisa regata, discursa rodeado por faixas com palavras de ordem relacionadas à floresta de Khímki, nos arredores de Moscou. O leitor mais desatento poderia até confundi-lo com o lutador de MMA Fiódor Emeliánenko, mas aquele é o jornalista Mikhail Beketov.

Em seu últimos anos, porém, Beketov já não exibia a forma atlética. Sua figura jovial tornara-se a de um homem sedentário, envelhecido e frágil em uma cadeira de rodas depois de ser brutalmente espancado em 2008. Suas pernas foram amputadas, assim como alguns dos dedos. Os médicos também tiveram que extrair fragmentos ósseos do seu cérebro. Depois de inúmeras operações, o jornalista morreu no último mês de abril. Foi o primeiro neste ano a ter a morte relacionada à prática da profissão.

Defendendo há anos a floresta de Khímki da destruição iminente pela construção de uma estrada ligando Moscou a São Petersburgo, Beketov recebeu os primeiros “recados” sobre a insatisfação com seu uso da imprensa em 2007, quando, ao chegar em casa, encontrou o carro queimado e o cão de estimação morto sobre o capacho. Ao acusar o prefeito de Khímki, o episódio virou pretexto para a Justiça russa se voltar contra ele.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Shorts at the Frontline Club: a cinematic journey around the world

Review de "Sírios em Transição" no Frontline Club:
http://www.frontlineclub.com/short-films-from-syria/

Aleppo is under fire from snipers, aerial bombardment and artillery shells. The metal kills indiscriminately, and terrorises without prejudice. In Transition, directed by Marina Darmaros and Wissam Moukayed, the latter takes us on his journey from Russia to his home town of Aleppo.
The mission: to uncover the reality facing the civilian population in Syria. Moukayed is a former Syrian army officer, whose father witnessed the Al-Mashara massacre – one of several during the 1980 Siege of Aleppo. Between sniper fire and rebel checkpoints, Moukayed finds Syrian Army deserters who claim they were ordered to kill peaceful protesters, unexploded cluster munitions in residential neighbourhoods, as well as schools, homes and families torn apart by the violence. On returning to his home town, Moukayed describes an image Aleppo where:
“The smell of blood has replaced the smell of flowers.”