segunda-feira, 5 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Putintesto
No protesto pró-Putin realizado anteontem em São Petersburgo, um programador resolveu dar uma de repórter e perguntar aos manifestantes o que estava escrito em suas placas. Para sua surpresa - ou não -, muitos sequer lembravam os bordões que carregavam, outros não sabiam o que os trocadilhos significavam.
Um deles (4'55'') se recusava a carregar aberta sua faixa, em que se lia "Pútin" no lugar de "pai" em uma passagem bíblica: "Perdoa-lhes, 'Pútin', porque não sabem o que fazem!"
Para fechar, faixas e placas abandonadas no metrô e dois mendigos, pobrezinhos, carregando seus slogans sentadinhos dizem apoiar o primeiro-ministro, "koniêtchno" ("claro").
O título do vídeo, "Puting", é uma mistura de Pútin com a palavra "miting" (em russo, "protesto").
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Pútin é preso e julgado
Tem coisas que só a oposição e os truques de cinema fazem para você! Publicada há apenas três dias, a reportagem fake de um julgamento do primeiro-ministro Vladímir Pútin já teve quase 3,5 milhões de visualizações no Twitter. Tem até usuário russo perguntando nos comentários se não é real o vídeo, tal a semelhança do ator com o premiê...
Moscou enfrenta o inverno com esportes
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU
Snowboard nos parques, patinação no gelo a céu aberto ou em pistas cobertas e peles em promoção nos principais centros de exibição de Moscou. Para quem se amedronta com temperaturas de -20ºC a -30ºC, a capital russa reserva variadas opções de diversão indoor.
No frio russo, os parques viram ponto de encontro de esportistas radicais -e também não tão radicais assim. "A gente se diverte no inverno", diz o estudante Oleg, 25. "Hoje passamos o dia todo fazendo snowboard no clube esportivo Kant [www.kant.ru, em russo]", conta sua amiga Maria, 23.
No complexo, que reúne pistas de esqui, snowboard, patinação no gelo e loja de material esportivo, ainda é possível frequentar uma escola de esportes niveais e alugar patins, pranchas e esquis.
"Temos 30 pistas e recebemos cerca de 2.200 pessoas por dia nos finais de semana", conta a diretora da escola, Elena Alekseeivna.
Parques moscovitas Além dos clubes, os esportes podem ser praticados de graça em parques públicos como o Vorobiôvi Góri (em russo, "Monte dos Pardais"; vorobyovy-gory.ru),onde também há opções para os menos experientes -mas não menos divertidas. O "tubing", que consiste em descer a ladeira sentado numa câmara de pneu, é uma delas.
A patinação no gelo, uma das atividades preferidas dos russos no inverno, está disponível em rinques a céu aberto nos parques da cidade, como o Górki, que tem o maior rinque da Europa, com 15 mil m², ou o VDNKh (www.vvcentre.ru). A vista vale a visita, mesmo sem patinação.
Na praça Vermelha, bem em frente ao centro de compras Gum e à catedral de São Basílio, há um rinque (www.gum.ru/en/projects/rink) que é sucesso instantâneo entre os que estão de passagem pelo principal ponto turístico da capital.
Pessoas caminham em meio a nevasca em rua de Moscou; capital russa pode ter temperatura de 30ºC negativos Em locais abertos há quase sempre uma barraquinha de chá para aquecer os friorentos, mas quem não tem experiência e não quer se arriscar em temperaturas extremamente baixas pode optar por rinques indoor, que funcionam durante o ano todo, como o da rede de shopping centers Mega.
Com as promoções de fim de inverno, também é possível se render às mais variadas marcas europeias do shopping, como Zara, H&M, Mango, Topshop etc.
Compras e repolhos Sempre é possível sobreviver ao inverno moscovita com o método "kapusta" (em russo, "repolho"). É assim, sobrepondo uma blusa sobre a outra, uma calça sobre a outra, que a maioria dos estrangeiros se vira.
Mas há outro jeito -controverso- de fugir do frio, que é aproveitar os descontos nas feiras de peles. É preciso barganhar para fazer valer a pena a compra dos chapéus e casacos em promoção por toda a capital russa -nos últimos com preço inicial na casa dos US$ 900.
As peças, porém, podem chegar a três quartos do valor inicial na conversa, e a apresentar-se como brasileiro é quase um cartão de desconto.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Desenhista retrata morte de jornalista russa
Italiano Igort lança livro sobre Anna Politkovskaia, assassinada em 2006 em caso que ainda segue sem solução
Para escrever a obra, autor viajou por dois anos pela Rússia, que ele diz ser hoje um país "amaldiçoado"
MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU
Em 7 de outubro de 2006, durante a segunda guerra da Tchetchênia (1999-2009), Anna Politkovskaia, correspondente do jornal russo dissidente "Novaia Gazeta", foi assassinada, aos 48 anos, no elevador de seu prédio, em Moscou.
Um dia depois, o desenhista italiano Igort escrevia, da França: "Uma luz apagada com quatro balas". O post em seu blog continha apenas uma frase e a foto de Anna.
Durante quatro dias seguidos, o desenhista, nascido Igor Tuveri e criado numa casa "muito simpática à cultura russa", não pôde deixar de escrever sobre o evento.
O interesse pelo assunto o levou a uma viagem de dois anos pelo país, a partir de 2009, cujo fruto é a graphic novel "Les Cahiers Russes: La Guerre Oubliée du Caucase" (cadernos russos: a guerra esquecida do Cáucaso; editora Futuropolis; 20 euros -cerca de R$ 45-, em média, na Amazon.fr), lançada em janeiro na França.
"A Rússia é hoje um país amaldiçoado, onde a gente tem medo de falar sobre certos assuntos, finge não ver que alguns julgamentos, como o da morte de Politkovskaia, são grotescos", disse Igort à Folha.
Mais de cinco anos depois, o caso de Anna continua sem solução. Profundamente tocada pelos horrores da Tchetchênia, a jornalista não fazia apenas seu trabalho, e esse era um dos motivos pelos quais incomodava tanto, segundo sua amiga e tradutora Galia Ackerman, também retratada por Igort. "Ela era uma defensora dos direitos humanos", conta Galia.
Além de refazer o percurso de Anna no dia de sua morte, Igort reconta episódios de injustiças contra o povo caucasiano relatados por ela.
Um deles é o do massacre na escola de Beslan, quando terroristas fecharam uma escola na Ossétia do Norte, em 2004, exigindo a retirada das tropas russas da Tchetchênia. Mal coordenada pelas forças russas, a ação resultou em até 380 mortes.
"Cadernos Russos" não foi uma estreia. Casado com uma ucraniana e falando um pouco de russo, Igort já havia publicado, pela mesma coleção da editora Futuropolis, os "Cadernos Ucranianos", sobre a grande fome provocada por Stálin que matou 6 milhões no país nos anos 1930.
"Com o desenho você pode facilmente recriar qualquer coisa, é tudo por sua conta e de seu talento", diz.
Já publicado na Itália desde o ano passado e com uma tiragem inicial de 6 mil cópias na França, as expectativas de venda do novo livro são grandes. Segundo a porta-voz da Futuropolis, Elise Rouyer, isso se dá principalmente devido ao sucesso do "Cadernos Ucranianos", publicado em sete países europeus.
No formato de um diário de viagem, a história contada por Igort está repleta de episódios da "democratura" russa, como é chamado por cientistas políticos ocidentais o sistema do país -ou seja, uma ditadura disfarçada.
"Eu vi soldados mutilados em São Petersburgo, implorando por alguns rublos, e isso diz muito. A Rússia é um país em guerra, mas a gente prefere não ver isso. Se existe um legado do trabalho da Anna, esse é importantíssimo", arremata Igort.
---
Folha de S.Paulo
Para escrever a obra, autor viajou por dois anos pela Rússia, que ele diz ser hoje um país "amaldiçoado"
MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU
Em 7 de outubro de 2006, durante a segunda guerra da Tchetchênia (1999-2009), Anna Politkovskaia, correspondente do jornal russo dissidente "Novaia Gazeta", foi assassinada, aos 48 anos, no elevador de seu prédio, em Moscou.
Um dia depois, o desenhista italiano Igort escrevia, da França: "Uma luz apagada com quatro balas". O post em seu blog continha apenas uma frase e a foto de Anna.
Durante quatro dias seguidos, o desenhista, nascido Igor Tuveri e criado numa casa "muito simpática à cultura russa", não pôde deixar de escrever sobre o evento.
O interesse pelo assunto o levou a uma viagem de dois anos pelo país, a partir de 2009, cujo fruto é a graphic novel "Les Cahiers Russes: La Guerre Oubliée du Caucase" (cadernos russos: a guerra esquecida do Cáucaso; editora Futuropolis; 20 euros -cerca de R$ 45-, em média, na Amazon.fr), lançada em janeiro na França.
"A Rússia é hoje um país amaldiçoado, onde a gente tem medo de falar sobre certos assuntos, finge não ver que alguns julgamentos, como o da morte de Politkovskaia, são grotescos", disse Igort à Folha.
Mais de cinco anos depois, o caso de Anna continua sem solução. Profundamente tocada pelos horrores da Tchetchênia, a jornalista não fazia apenas seu trabalho, e esse era um dos motivos pelos quais incomodava tanto, segundo sua amiga e tradutora Galia Ackerman, também retratada por Igort. "Ela era uma defensora dos direitos humanos", conta Galia.
Além de refazer o percurso de Anna no dia de sua morte, Igort reconta episódios de injustiças contra o povo caucasiano relatados por ela.
Um deles é o do massacre na escola de Beslan, quando terroristas fecharam uma escola na Ossétia do Norte, em 2004, exigindo a retirada das tropas russas da Tchetchênia. Mal coordenada pelas forças russas, a ação resultou em até 380 mortes.
"Cadernos Russos" não foi uma estreia. Casado com uma ucraniana e falando um pouco de russo, Igort já havia publicado, pela mesma coleção da editora Futuropolis, os "Cadernos Ucranianos", sobre a grande fome provocada por Stálin que matou 6 milhões no país nos anos 1930.
"Com o desenho você pode facilmente recriar qualquer coisa, é tudo por sua conta e de seu talento", diz.
Já publicado na Itália desde o ano passado e com uma tiragem inicial de 6 mil cópias na França, as expectativas de venda do novo livro são grandes. Segundo a porta-voz da Futuropolis, Elise Rouyer, isso se dá principalmente devido ao sucesso do "Cadernos Ucranianos", publicado em sete países europeus.
No formato de um diário de viagem, a história contada por Igort está repleta de episódios da "democratura" russa, como é chamado por cientistas políticos ocidentais o sistema do país -ou seja, uma ditadura disfarçada.
"Eu vi soldados mutilados em São Petersburgo, implorando por alguns rublos, e isso diz muito. A Rússia é um país em guerra, mas a gente prefere não ver isso. Se existe um legado do trabalho da Anna, esse é importantíssimo", arremata Igort.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
A oposição ataca novamente - 04.02.2012
![]() |
| Rio Moscou, ao lado da Praça Bolôtnaia, congelado e cheio de neve a 18 graus negativos no sábado (4) |
![]() |
| Os rapazolas do "Pútin e os Soldados Paraquedistas"... |
![]() |
| ... novo hit da internet, o grupo de veteranos conseguiu mais de 1 milhão de visualizações em quatro dias com o vídeo abaixo: |
Paródia de uma música russa, a letra virou um hino da oposição, pedindo que
o primeiro-ministro "olhe nos olhos e deixe seu mandato".
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| Agora vocês acreditam que estava frio? Todos os jornalistas bigodudos andavam de lá para cá com os pelos congelados assim! |
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| A ala da terceira idade sempre fica bem de frente para o palco. |
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| Iliá Iáshin, da Frente de Esquerda |
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| O Grigóri Iavlínski, do partido Iábloko, estava ali com o bração levantado no final do comício e jogaram uma bolinha de papel nele. Mas ele foi forte e não chorou, nem chamou a ambulância ;) |
![]() |
| O blogueiro-ativista-candidato-a-candidato-e-advogado Aleksêi Naválni ali no topo da escada com sua uchanka, esse gorrinho com orelhas embutidas. |
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Sob frio, 100 mil saem às ruas contra Putin
Protestos na capital russa ocorrem a quase um mês de eleições; aliados também fazem manifestação paralela
Projeção de pesquisa aponta atual premiê como favorito; oposição reclama de falta de liberdade e de fraudes
MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU
Mais de 100 mil pessoas saíram ontem às ruas de Moscou, na Rússia, para protestar contra as fraudes nas eleições parlamentares de dezembro passado e pedir a renúncia do premiê e candidato à Presidência, Vladimir Putin. A uma temperatura de 18º C negativos, os manifestantes percorreram 2,5 km a pé.
Enquanto a organização e a mídia contabilizaram a presença de 100 mil pessoas, o Ministério do Interior anunciou um máximo de 36 mil.
Sob gritos de "Rússia sem Putin", a manifestação teve show do grupo Putin e os Soldados Paraquedistas, formado por veteranos do Exército e sucesso na internet.
"Já não se pode mais viver com um sistema completamente corrupto, sem liberdade", disse à Folha o vocalista, Mikhail Vistítski.
O ato contra Putin não foi o único em Moscou. Segundo a polícia, cerca de 90 mil se reuniram "por eleições justas, mas contra uma revolução laranja", abertamente pró-Putin.
O país terá eleições presidenciais no dia 4 do mês que vem, e o primeiro-ministro aparece na frente nas pesquisas de intenção de votos.
Segundo levantamento feito em janeiro, 52% dos eleitores votarão nele.
---
Na Folha de S.Paulo.
Projeção de pesquisa aponta atual premiê como favorito; oposição reclama de falta de liberdade e de fraudes
MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU
Mais de 100 mil pessoas saíram ontem às ruas de Moscou, na Rússia, para protestar contra as fraudes nas eleições parlamentares de dezembro passado e pedir a renúncia do premiê e candidato à Presidência, Vladimir Putin. A uma temperatura de 18º C negativos, os manifestantes percorreram 2,5 km a pé.
Enquanto a organização e a mídia contabilizaram a presença de 100 mil pessoas, o Ministério do Interior anunciou um máximo de 36 mil.
Sob gritos de "Rússia sem Putin", a manifestação teve show do grupo Putin e os Soldados Paraquedistas, formado por veteranos do Exército e sucesso na internet.
"Já não se pode mais viver com um sistema completamente corrupto, sem liberdade", disse à Folha o vocalista, Mikhail Vistítski.
O ato contra Putin não foi o único em Moscou. Segundo a polícia, cerca de 90 mil se reuniram "por eleições justas, mas contra uma revolução laranja", abertamente pró-Putin.
O país terá eleições presidenciais no dia 4 do mês que vem, e o primeiro-ministro aparece na frente nas pesquisas de intenção de votos.
Segundo levantamento feito em janeiro, 52% dos eleitores votarão nele.
---
Na Folha de S.Paulo.
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
"Em vez de matar, agora prendem", diz oposicionista russo
MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU
No dia 31 de dezembro, uma semana depois do protesto que reuniu cerca de 100 mil pessoas na capital russa pela anulação das eleições parlamentares, o político oposicionista Eduard Limonov, 68, foi preso quando descia do carro para realizar mais uma demonstração da oposição, a ação Estratégia-31.
Liberado alguns minutos antes do Ano Novo, o líder do extinto partido Nacional Bolchevique --hoje substituído pelo não regularizado Outra Rússia-- teve negado também em dezembro seu pedido de registro como candidato independente às próximas eleições presidenciais de março de 2012.
O político, que criou alguns dos principais movimentos sociais do país na atualidade, como a Marcha dos Discordantes e o Estratégia-31, devido aos quais foi preso pelo menos 20 vezes nos últimos três anos, disse à Folha que ser oposição na Rússia é como participar de uma guerra.
Desligado da "oposição burguesa" que reuniu as massas nos maiores protestos da era de Vladimir Putin, como no dia 24, comandou uma ação na frente da Duma (câmara baixa do parlamento russo) para tentar impedir a entrada dos novos deputados que resultou em 25 detenções.
*
Folha - Qual foi sua ideia ao criar o Estratégia-31?
Eduard Limonov - A primeira vez que eu protestei na Praça do Triunfo foi em 31 de janeiro de 2009, ou seja, há quase três anos. A ideia era essa: em todos os meses do ano que tivessem 31 dias ir sempre para um mesmo local, e tornar realidade o Artigo 31 da Constituição, sobre a liberdade de reunião pacífica.
Manifestante nas ruas de St.Petersburg, na Rússia, após realização de eleições parlamentares Nós já tentamos há três anos, mas por enquanto não conseguimos realizar a liberdade e a reunião pacífica. É uma ideia simples, uma dramaturgia clássica: estamos em um mesmo local, no mesmo horário, todas as vezes no dia 31, toda vez na praça do Triunfo, às 18h, para que as pessoas saibam para onde ir.
Alguma vez a prefeitura de Moscou permitiu essa reunião?
Nunca permitiram, na realidade.
E te prenderam?
Sou preso todas as vezes praticamente nesses três anos. Eu não contei quantas vezes, mas já foram umas 20, com certeza.
Como você lida com isso?
Para mim tanto faz, na verdade. É uma guerra. Só não matam, em vez disso, prendem.
Num país onde se cumpre uma pena e não se é solto, ou em que assassinatos e espancamentos a jornalistas permanecem sem investigação adequada, não dá medo ser oposição?
Vocês também não têm um país ideal, por isso eu não considero assim. É nossa infelicidade esse governo Putin, é nosso desgosto, é nossa desgraça. Então a gente tenta tirá-los do poder. Matam as pessoas constantemente. A liberdade é uma coisa cara, por ela sempre se pagou muito caro, por vezes a vida.
Onde está o maior problema nas eleições russas?
Assim como outros oito partidos da oposição, o Ministério da Justiça sequer nos registrou.
Depois de apresentar os documentos para o registro como candidato presidencial, ainda tem outra etapa. Se aprovados, é preciso reunir 2 milhões de assinaturas até 18 de janeiro.
É uma tarefa impossível, o governo premeditadamente coloca candidatos independentes em situações desse gênero, em que não se pode reunir tal quantia de assinaturas de maneira honesta. Mas ainda com as assinaturas reunidas, o governo geralmente afirma que aquilo não é autêntico, e dessa maneira detêm o candidato durante seu caminho para a participação nas eleições.
Por que o senhor não se uniu com os organizadores das manifestações na praça Bolôtnaia?
Os líderes desses partidos burgueses cometeram um grande erro, ou até um crime. Eles desviaram no dia 10 de dezembro milhares de pessoas para a Praça Bolôtnaia, para uma manifestação autorizada, retirando as pessoas do centro da cidade. Por que o governo concordou com isso? Porque a Praça da Revolução, para onde inicialmente foi designado o protesto, fica a poucas centenas de metros do Comitê Eleitoral Central, da Duma de Estado, nosso parlamento, a uns 150 metros do Kremlin.
O primeiro-ministro Vladimir Putin De lá se podia caminhar 200 metros e aparecer na porta da Duma, de onde todas as exigências soariam de maneira completamente diferente. Ou seja, esse local tem importância geográfica. Mas os tontos, ou traidores, desviaram a ideia para longe, além do rio [Moscou], num lugar desconfortável e longe do centro da cidade. Apesar de estar a apenas alguns quilômetros, aquele é um lugar isolado, numa bifurcação do rio Moscou, quase uma ilha.
E foi por isso que o governo permitiu ao Boris Nemtsov levar as pessoas para lá, era lucro. Assim, o protesto do dia 10 não alcançou seus objetivos. Leram a resolução e se dispersaram, foram para casa, justo quando era preciso ir ao prédio da Comissão Eleitoral Central, ou do parlamento, e exigir o cumprimento imediato de nossas demandas, ou seja, a anulação das eleições do dia 4 de dezembro, anúncio de novas eleições livres...
Por isso já não tem nada em comum entre os líderes da burguesia e mim. Nós restamos em absoluta minoria na Praça da Revolução, a gente era meia dúzia, simplesmente. Mas isso não significa que eles estejam certos e nós não. Eles mataram a possibilidade de revolução nesse dia. Eles não tem firmeza, não são corajosos.
O que falta na sua opinião?
Era preciso ir ao prédio da Comissão Eleitoral Central, na travessa Bolshói Tcherkásski, bater na porta e exigir a imediata mudança das eleições. Com 50 mil pessoas atrás, isso teria uma grande força.
O que o senhor faria como presidente?
É muito difícil premeditar essa situação. Se fosse eleito a primeira coisa que eu faria seria mudar o efetivo do Supremo Tribunal, do Tribunal Constitucional, para que os cidadãos tivessem possibilidade de se endereçar a esses tribunais, para que após as eleições, como agora, fosse possível se dirigir ao Supremo Tribunal e esse decidisse mudar as eleições. No momento não temos isso, o Supremo Tribunal e o Tribunal Constitucional estão sob total controle do governo.
Como o senhor considera o crescimento atual de movimentos ultranacionalistas no país?
Os nacionalistas existem em todo país. Vocês também têm nacionalistas. Ou não? Em todo lugar tem. Eu lido com isso como lido com a existência de liberais, de comunistas, e também de nacionalistas. Eles têm direito de existir.
Como é sua relação com novas figuras políticas como o blogueiro oposicionista Aleksêi Naválni?
Ele é uma personalidade. Eu não o vejo como político. Eu não vejo que político ele é, e onde ele é político. Para mim ele não faz parte de alguma organização política, ele está sozinho, então como poderia ele ser político? Político não pode ser sozinho, ou ele é chefe de uma organização política, ou um membro influente de uma organização política. Uma pessoa sozinha é uma pessoa sozinha. Ele por enquanto se apresenta como um último guerreiro.
Pode-se comparar o que está acontecendo hoje na Rússia com que os países árabes passam agora?
Não só nos países árabes, já que isso começou na Europa há muito tempo, teve a revolução laranja na Ucrânia há uns 7 anos, houve revoluções na Geórgia, até no Quirguistão, na Moldávia, em todo lugar.
Qual sua opinião sobre a política externa russa em relação aos países da primavera árabe, como a Síria?
No Egito e na Tunísia foram verdadeiras revoluções populares que tomaram lugar. Na Líbia o que houve foi um golpe de Estado, uma insurreição organizada por países ocidentais, e na Síria também. Por trás desses conflitos está o Ocidente, que há muito tempo queria trocar o Bashar Assad, como também queria trocar o Gaddafi. É a aniquilação dos últimos regimes socialistas no mundo árabe, porque na Síria lidera o partido Baaz, que é socialista, e o Gaddafi também era socialista.
Mas acontece que lá se vive sob completa ditadura...
Isso é conversa fiada. São costumes dos regimes do Oriente Médio. Lá o governo sempre foi um pouco diferente. Não se pode esperar que o lugar se transforme em uma Itália, isso não vai acontecer. É um regime correspondente a determinadas tradições desses países. Eles nunca viveram como a Europa, nunca serão a Holanda, nunca se tornarão uma Dinamarca. São outros países, têm sua próprias particularidades e, assim como a China, nunca viverão como a Europa vive.
Então a Rússia também não?
E a Rússia também não, claramente, apesar de em menor nível de diferença.
Como você considera a queda da União Soviética?
É uma tragédia, claro. A queda de qualquer grande Estado sempre é uma tragédia, como a queda do Império Britânico também foi uma tragédia para os britânicos. Isso é normal. Não é nada bom.
---
Na Folha Online.
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU
No dia 31 de dezembro, uma semana depois do protesto que reuniu cerca de 100 mil pessoas na capital russa pela anulação das eleições parlamentares, o político oposicionista Eduard Limonov, 68, foi preso quando descia do carro para realizar mais uma demonstração da oposição, a ação Estratégia-31.
Liberado alguns minutos antes do Ano Novo, o líder do extinto partido Nacional Bolchevique --hoje substituído pelo não regularizado Outra Rússia-- teve negado também em dezembro seu pedido de registro como candidato independente às próximas eleições presidenciais de março de 2012.
O político, que criou alguns dos principais movimentos sociais do país na atualidade, como a Marcha dos Discordantes e o Estratégia-31, devido aos quais foi preso pelo menos 20 vezes nos últimos três anos, disse à Folha que ser oposição na Rússia é como participar de uma guerra.
Desligado da "oposição burguesa" que reuniu as massas nos maiores protestos da era de Vladimir Putin, como no dia 24, comandou uma ação na frente da Duma (câmara baixa do parlamento russo) para tentar impedir a entrada dos novos deputados que resultou em 25 detenções.
*
Folha - Qual foi sua ideia ao criar o Estratégia-31?
Eduard Limonov - A primeira vez que eu protestei na Praça do Triunfo foi em 31 de janeiro de 2009, ou seja, há quase três anos. A ideia era essa: em todos os meses do ano que tivessem 31 dias ir sempre para um mesmo local, e tornar realidade o Artigo 31 da Constituição, sobre a liberdade de reunião pacífica.
Manifestante nas ruas de St.Petersburg, na Rússia, após realização de eleições parlamentares Nós já tentamos há três anos, mas por enquanto não conseguimos realizar a liberdade e a reunião pacífica. É uma ideia simples, uma dramaturgia clássica: estamos em um mesmo local, no mesmo horário, todas as vezes no dia 31, toda vez na praça do Triunfo, às 18h, para que as pessoas saibam para onde ir.
Alguma vez a prefeitura de Moscou permitiu essa reunião?
Nunca permitiram, na realidade.
E te prenderam?
Sou preso todas as vezes praticamente nesses três anos. Eu não contei quantas vezes, mas já foram umas 20, com certeza.
Como você lida com isso?
Para mim tanto faz, na verdade. É uma guerra. Só não matam, em vez disso, prendem.
Num país onde se cumpre uma pena e não se é solto, ou em que assassinatos e espancamentos a jornalistas permanecem sem investigação adequada, não dá medo ser oposição?
Vocês também não têm um país ideal, por isso eu não considero assim. É nossa infelicidade esse governo Putin, é nosso desgosto, é nossa desgraça. Então a gente tenta tirá-los do poder. Matam as pessoas constantemente. A liberdade é uma coisa cara, por ela sempre se pagou muito caro, por vezes a vida.
Onde está o maior problema nas eleições russas?
Assim como outros oito partidos da oposição, o Ministério da Justiça sequer nos registrou.
Depois de apresentar os documentos para o registro como candidato presidencial, ainda tem outra etapa. Se aprovados, é preciso reunir 2 milhões de assinaturas até 18 de janeiro.
É uma tarefa impossível, o governo premeditadamente coloca candidatos independentes em situações desse gênero, em que não se pode reunir tal quantia de assinaturas de maneira honesta. Mas ainda com as assinaturas reunidas, o governo geralmente afirma que aquilo não é autêntico, e dessa maneira detêm o candidato durante seu caminho para a participação nas eleições.
Por que o senhor não se uniu com os organizadores das manifestações na praça Bolôtnaia?
Os líderes desses partidos burgueses cometeram um grande erro, ou até um crime. Eles desviaram no dia 10 de dezembro milhares de pessoas para a Praça Bolôtnaia, para uma manifestação autorizada, retirando as pessoas do centro da cidade. Por que o governo concordou com isso? Porque a Praça da Revolução, para onde inicialmente foi designado o protesto, fica a poucas centenas de metros do Comitê Eleitoral Central, da Duma de Estado, nosso parlamento, a uns 150 metros do Kremlin.
O primeiro-ministro Vladimir Putin De lá se podia caminhar 200 metros e aparecer na porta da Duma, de onde todas as exigências soariam de maneira completamente diferente. Ou seja, esse local tem importância geográfica. Mas os tontos, ou traidores, desviaram a ideia para longe, além do rio [Moscou], num lugar desconfortável e longe do centro da cidade. Apesar de estar a apenas alguns quilômetros, aquele é um lugar isolado, numa bifurcação do rio Moscou, quase uma ilha.
E foi por isso que o governo permitiu ao Boris Nemtsov levar as pessoas para lá, era lucro. Assim, o protesto do dia 10 não alcançou seus objetivos. Leram a resolução e se dispersaram, foram para casa, justo quando era preciso ir ao prédio da Comissão Eleitoral Central, ou do parlamento, e exigir o cumprimento imediato de nossas demandas, ou seja, a anulação das eleições do dia 4 de dezembro, anúncio de novas eleições livres...
Por isso já não tem nada em comum entre os líderes da burguesia e mim. Nós restamos em absoluta minoria na Praça da Revolução, a gente era meia dúzia, simplesmente. Mas isso não significa que eles estejam certos e nós não. Eles mataram a possibilidade de revolução nesse dia. Eles não tem firmeza, não são corajosos.
O que falta na sua opinião?
Era preciso ir ao prédio da Comissão Eleitoral Central, na travessa Bolshói Tcherkásski, bater na porta e exigir a imediata mudança das eleições. Com 50 mil pessoas atrás, isso teria uma grande força.
O que o senhor faria como presidente?
É muito difícil premeditar essa situação. Se fosse eleito a primeira coisa que eu faria seria mudar o efetivo do Supremo Tribunal, do Tribunal Constitucional, para que os cidadãos tivessem possibilidade de se endereçar a esses tribunais, para que após as eleições, como agora, fosse possível se dirigir ao Supremo Tribunal e esse decidisse mudar as eleições. No momento não temos isso, o Supremo Tribunal e o Tribunal Constitucional estão sob total controle do governo.
Como o senhor considera o crescimento atual de movimentos ultranacionalistas no país?
Os nacionalistas existem em todo país. Vocês também têm nacionalistas. Ou não? Em todo lugar tem. Eu lido com isso como lido com a existência de liberais, de comunistas, e também de nacionalistas. Eles têm direito de existir.
Como é sua relação com novas figuras políticas como o blogueiro oposicionista Aleksêi Naválni?
Ele é uma personalidade. Eu não o vejo como político. Eu não vejo que político ele é, e onde ele é político. Para mim ele não faz parte de alguma organização política, ele está sozinho, então como poderia ele ser político? Político não pode ser sozinho, ou ele é chefe de uma organização política, ou um membro influente de uma organização política. Uma pessoa sozinha é uma pessoa sozinha. Ele por enquanto se apresenta como um último guerreiro.
Pode-se comparar o que está acontecendo hoje na Rússia com que os países árabes passam agora?
Não só nos países árabes, já que isso começou na Europa há muito tempo, teve a revolução laranja na Ucrânia há uns 7 anos, houve revoluções na Geórgia, até no Quirguistão, na Moldávia, em todo lugar.
Qual sua opinião sobre a política externa russa em relação aos países da primavera árabe, como a Síria?
No Egito e na Tunísia foram verdadeiras revoluções populares que tomaram lugar. Na Líbia o que houve foi um golpe de Estado, uma insurreição organizada por países ocidentais, e na Síria também. Por trás desses conflitos está o Ocidente, que há muito tempo queria trocar o Bashar Assad, como também queria trocar o Gaddafi. É a aniquilação dos últimos regimes socialistas no mundo árabe, porque na Síria lidera o partido Baaz, que é socialista, e o Gaddafi também era socialista.
Mas acontece que lá se vive sob completa ditadura...
Isso é conversa fiada. São costumes dos regimes do Oriente Médio. Lá o governo sempre foi um pouco diferente. Não se pode esperar que o lugar se transforme em uma Itália, isso não vai acontecer. É um regime correspondente a determinadas tradições desses países. Eles nunca viveram como a Europa, nunca serão a Holanda, nunca se tornarão uma Dinamarca. São outros países, têm sua próprias particularidades e, assim como a China, nunca viverão como a Europa vive.
Então a Rússia também não?
E a Rússia também não, claramente, apesar de em menor nível de diferença.
Como você considera a queda da União Soviética?
É uma tragédia, claro. A queda de qualquer grande Estado sempre é uma tragédia, como a queda do Império Britânico também foi uma tragédia para os britânicos. Isso é normal. Não é nada bom.
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Na Folha Online.
Nova geração lidera manifestações de oposição ao governo Putin
MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU
Uma nova geração de manifestantes, popular nas redes sociais e sem ligação com os principais partidos, está à frente dos protestos realizados na Rússia desde as eleições parlamentares que, no início de dezembro, deram maioria ao partido do primeiro-ministro Vladimir Putin.
Opositores que já tomavam a cena na internet russa, como o blogueiro Aleksêi Naválni e o líder da organização Solidarnost ("solidariedade"), Iliá Iáshin, ganharam mais visibilidade na mídia e adesão pública após serem presos nas manifestações.
Naválni, por exemplo, pulou de 60 mil seguidores no Twitter em agosto para 170 mil em dezembro. Enquanto isso, líderes como Putin e o presidente Dmitri Medvedev, seu aliado, passaram a ser rechaçados e viraram alvos de faixas e gritos de guerra que pediam suas demissões.
"Nós, a geração mais jovem, que somos a grande maioria nos protestos, esperávamos mais e melhor, como nos foi prometido quando a União Soviética caiu, e é isso que estamos exigindo", diz o estudante de direito Viatcheslav Tsener, 20 anos.
Proclamando-se liberal, Tsener defende que Naválni --que não é candidato às eleições de março deste ano-- seja eleito presidente.
ACUSAÇÕES DE FRAUDE
A internet também teve papel importante na exposição das alegadas fraudes na eleição parlamentar russa.
Entre as denúncias e os vídeos feitos por observadores independentes no dia 4, havia mesários preenchendo cédulas em favor do partido governante, o Rússia Unida, e canetas que se apagavam.
Em 5 de dezembro, um dia após o pleito parlamentar, cerca de 7.000 pessoas saíram às ruas de Moscoul para protestar contra fraudes.
Mas, em vez de organizar novas eleições, Medvedev declarou que os vídeos postados na internet não eram "confiáveis". Além disso, houve prisões maciças de manifestantes durante protestos pacíficos, sob a alegação de que os eventos não eram autorizados pela prefeitura.
"As eleições foram o estopim, mas não o problema central que ocasionou esses movimentos. Se assim fosse, seria só realizar eleições mais justas, ou mudar os resultados", disse à Folha Nikolai Petrov, analista político do Carnegie Center de Moscou.
"O problema não está nos líderes, mas nas instituições. Acho que a situação só mudará quando a 'persona-líder' deixar de ser tão importante e passar a haver instituições livres no país", acrescenta.
CALDEIRÃO DA OPOSIÇÃO
Ainda em dezembro, houve outras três manifestações contra o processo eleitoral.
Porém, com a forte repressão policial e as detenções dos primeiros protestos, a heterogênea oposição russa decidiu se unir e acatar as resoluções da prefeitura.
O Executivo de Moscou determinou que os atos fossem marcados para áreas mais distantes do Comitê Eleitoral Central e da Duma (Câmara russa), como a praça Bolôtnaia, onde manifestações no mês passado reuniram cerca de 50 mil pessoas.
Enquanto o político e escritor esquerdista Eduard Limonov afastou-se, opositores tão distintos como o liberal-nacionalista Naválni, o social-liberal Iáshin e o ex-premiê Boris Nemtsov tomaram juntos as rédeas dos eventos do mês passado.
"Hoje, entretanto, não há partidos ou políticos na oposição que gozem de confiança absoluta e popularidade entre os manifestantes", acredita o analista Petrov.
Mas, enquanto não há acordo entre as visões políticas da oposição, também não há divergências que a impeçam de protestar unida. A heterogeneidade desse caldeirão chegou ao ápice durante sua última manifestação de dezembro, no dia 24.
Lado a lado, no público estimado em 100 mil pessoas havia alas de ultranacionalistas, esquerdistas, liberais, "hipsters" e aposentados. Entre os porta-vozes do evento, a cena se repetiu: o enxadrista russo Garry Kasparov dividia a cena com o ultranacionalista Vladímir Tor, idealizador da "Marcha Russa", a apresentadora da versão russa do programa de TV Big Brother, Ksênia Sobtchak, e o ex-ministro das Finanças Aleksêi Kúdrin.
De acordo com Petrov, as fortes personalidades da oposição correm o risco de repetir os erros dos governistas.
"No governo, há muitos líderes e nenhum contrapeso. Se esse elemento não surgir, os próximos líderes seguirão os mesmos passos que, de início, deram em Ieltsin e, depois, em Putin", arremata.
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Na Folha online.
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU
Uma nova geração de manifestantes, popular nas redes sociais e sem ligação com os principais partidos, está à frente dos protestos realizados na Rússia desde as eleições parlamentares que, no início de dezembro, deram maioria ao partido do primeiro-ministro Vladimir Putin.
Opositores que já tomavam a cena na internet russa, como o blogueiro Aleksêi Naválni e o líder da organização Solidarnost ("solidariedade"), Iliá Iáshin, ganharam mais visibilidade na mídia e adesão pública após serem presos nas manifestações.
Naválni, por exemplo, pulou de 60 mil seguidores no Twitter em agosto para 170 mil em dezembro. Enquanto isso, líderes como Putin e o presidente Dmitri Medvedev, seu aliado, passaram a ser rechaçados e viraram alvos de faixas e gritos de guerra que pediam suas demissões.
"Nós, a geração mais jovem, que somos a grande maioria nos protestos, esperávamos mais e melhor, como nos foi prometido quando a União Soviética caiu, e é isso que estamos exigindo", diz o estudante de direito Viatcheslav Tsener, 20 anos.
| Dmitry Lovetsky/Associated Press | |
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| Manifestante nas ruas de St.Petersburg, na Rússia, após realização de eleições parlamentares |
ACUSAÇÕES DE FRAUDE
A internet também teve papel importante na exposição das alegadas fraudes na eleição parlamentar russa.
Entre as denúncias e os vídeos feitos por observadores independentes no dia 4, havia mesários preenchendo cédulas em favor do partido governante, o Rússia Unida, e canetas que se apagavam.
Em 5 de dezembro, um dia após o pleito parlamentar, cerca de 7.000 pessoas saíram às ruas de Moscoul para protestar contra fraudes.
Mas, em vez de organizar novas eleições, Medvedev declarou que os vídeos postados na internet não eram "confiáveis". Além disso, houve prisões maciças de manifestantes durante protestos pacíficos, sob a alegação de que os eventos não eram autorizados pela prefeitura.
"As eleições foram o estopim, mas não o problema central que ocasionou esses movimentos. Se assim fosse, seria só realizar eleições mais justas, ou mudar os resultados", disse à Folha Nikolai Petrov, analista político do Carnegie Center de Moscou.
"O problema não está nos líderes, mas nas instituições. Acho que a situação só mudará quando a 'persona-líder' deixar de ser tão importante e passar a haver instituições livres no país", acrescenta.
CALDEIRÃO DA OPOSIÇÃO
Ainda em dezembro, houve outras três manifestações contra o processo eleitoral.
Porém, com a forte repressão policial e as detenções dos primeiros protestos, a heterogênea oposição russa decidiu se unir e acatar as resoluções da prefeitura.
O Executivo de Moscou determinou que os atos fossem marcados para áreas mais distantes do Comitê Eleitoral Central e da Duma (Câmara russa), como a praça Bolôtnaia, onde manifestações no mês passado reuniram cerca de 50 mil pessoas.
Enquanto o político e escritor esquerdista Eduard Limonov afastou-se, opositores tão distintos como o liberal-nacionalista Naválni, o social-liberal Iáshin e o ex-premiê Boris Nemtsov tomaram juntos as rédeas dos eventos do mês passado.
"Hoje, entretanto, não há partidos ou políticos na oposição que gozem de confiança absoluta e popularidade entre os manifestantes", acredita o analista Petrov.
Mas, enquanto não há acordo entre as visões políticas da oposição, também não há divergências que a impeçam de protestar unida. A heterogeneidade desse caldeirão chegou ao ápice durante sua última manifestação de dezembro, no dia 24.
Lado a lado, no público estimado em 100 mil pessoas havia alas de ultranacionalistas, esquerdistas, liberais, "hipsters" e aposentados. Entre os porta-vozes do evento, a cena se repetiu: o enxadrista russo Garry Kasparov dividia a cena com o ultranacionalista Vladímir Tor, idealizador da "Marcha Russa", a apresentadora da versão russa do programa de TV Big Brother, Ksênia Sobtchak, e o ex-ministro das Finanças Aleksêi Kúdrin.
De acordo com Petrov, as fortes personalidades da oposição correm o risco de repetir os erros dos governistas.
"No governo, há muitos líderes e nenhum contrapeso. Se esse elemento não surgir, os próximos líderes seguirão os mesmos passos que, de início, deram em Ieltsin e, depois, em Putin", arremata.
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Na Folha online.
domingo, 29 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
BBB da Prisão
Aproveitando a revolta brasileira contra o BBB, divido minha descoberta de anteontem à noite, completamente ao acaso, do "BBB da prisão", como resolvi intitular a coisa. "Djentlemeni na datche" (em russo, "Gentlemen na casa de campo"), é um reality show produzido pela ucraniana ICTV em russo e transmitido na Rússia, desde a última segunda-feira (16), pela TV Pérets.
Nele, um grupo não de piriguethys e Ricardões, mas de dez ex-presidiários, é reunido numa datcha (casa de campo), ganha novas roupas, trabalho, aulas de inglês, de etiqueta. Enfim, como eles mesmos colocam, uma nova chance na vida. Um detalhe importante é que no programa não são admitidos estupradores e assassinos, segundo a produção. Para outras categorias do crime as portas estão abertas.
No primeiro episódio, cada um se apresentou e um deles até ensinou alguns truques para bater carteira #fica-a-dica. Além da experiência visual sócio-antropológica, o programa é um exemplo de como a TV russa (ok, do Leste europeu!) às vezes tira da manga uns truques revolucionários.
Nele, um grupo não de piriguethys e Ricardões, mas de dez ex-presidiários, é reunido numa datcha (casa de campo), ganha novas roupas, trabalho, aulas de inglês, de etiqueta. Enfim, como eles mesmos colocam, uma nova chance na vida. Um detalhe importante é que no programa não são admitidos estupradores e assassinos, segundo a produção. Para outras categorias do crime as portas estão abertas.
No primeiro episódio, cada um se apresentou e um deles até ensinou alguns truques para bater carteira #fica-a-dica. Além da experiência visual sócio-antropológica, o programa é um exemplo de como a TV russa (ok, do Leste europeu!) às vezes tira da manga uns truques revolucionários.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Brasileiro que morreu afogado na Rússia esperou 20 minutos por ajuda
Na última sexta-feira (6), o estudante paulista Rafael Lusvarghi voltou ao lugar onde morreu seu colega de faculdade, Henrique Vasques de Haro, de 20 anos.
Produção para o Fantástico de 08/01/2012.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Gazeta Russa (Jan. 2012)
Postado por
Marina Darmaros
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