quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Desenhista retrata morte de jornalista russa

Italiano Igort lança livro sobre Anna Politkovskaia, assassinada em 2006 em caso que ainda segue sem solução


Para escrever a obra, autor viajou por dois anos pela Rússia, que ele diz ser hoje um país "amaldiçoado"

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU

Em 7 de outubro de 2006, durante a segunda guerra da Tchetchênia (1999-2009), Anna Politkovskaia, correspondente do jornal russo dissidente "Novaia Gazeta", foi assassinada, aos 48 anos, no elevador de seu prédio, em Moscou.

Um dia depois, o desenhista italiano Igort escrevia, da França: "Uma luz apagada com quatro balas". O post em seu blog continha apenas uma frase e a foto de Anna.

Durante quatro dias seguidos, o desenhista, nascido Igor Tuveri e criado numa casa "muito simpática à cultura russa", não pôde deixar de escrever sobre o evento.

O interesse pelo assunto o levou a uma viagem de dois anos pelo país, a partir de 2009, cujo fruto é a graphic novel "Les Cahiers Russes: La Guerre Oubliée du Caucase" (cadernos russos: a guerra esquecida do Cáucaso; editora Futuropolis; 20 euros -cerca de R$ 45-, em média, na Amazon.fr), lançada em janeiro na França.

"A Rússia é hoje um país amaldiçoado, onde a gente tem medo de falar sobre certos assuntos, finge não ver que alguns julgamentos, como o da morte de Politkovskaia, são grotescos", disse Igort à Folha.

Mais de cinco anos depois, o caso de Anna continua sem solução. Profundamente tocada pelos horrores da Tchetchênia, a jornalista não fazia apenas seu trabalho, e esse era um dos motivos pelos quais incomodava tanto, segundo sua amiga e tradutora Galia Ackerman, também retratada por Igort. "Ela era uma defensora dos direitos humanos", conta Galia.

Além de refazer o percurso de Anna no dia de sua morte, Igort reconta episódios de injustiças contra o povo caucasiano relatados por ela.

Um deles é o do massacre na escola de Beslan, quando terroristas fecharam uma escola na Ossétia do Norte, em 2004, exigindo a retirada das tropas russas da Tchetchênia. Mal coordenada pelas forças russas, a ação resultou em até 380 mortes.

"Cadernos Russos" não foi uma estreia. Casado com uma ucraniana e falando um pouco de russo, Igort já havia publicado, pela mesma coleção da editora Futuropolis, os "Cadernos Ucranianos", sobre a grande fome provocada por Stálin que matou 6 milhões no país nos anos 1930.

"Com o desenho você pode facilmente recriar qualquer coisa, é tudo por sua conta e de seu talento", diz.

Já publicado na Itália desde o ano passado e com uma tiragem inicial de 6 mil cópias na França, as expectativas de venda do novo livro são grandes. Segundo a porta-voz da Futuropolis, Elise Rouyer, isso se dá principalmente devido ao sucesso do "Cadernos Ucranianos", publicado em sete países europeus.

No formato de um diário de viagem, a história contada por Igort está repleta de episódios da "democratura" russa, como é chamado por cientistas políticos ocidentais o sistema do país -ou seja, uma ditadura disfarçada.

"Eu vi soldados mutilados em São Petersburgo, implorando por alguns rublos, e isso diz muito. A Rússia é um país em guerra, mas a gente prefere não ver isso. Se existe um legado do trabalho da Anna, esse é importantíssimo", arremata Igort.
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Folha de S.Paulo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A oposição ataca novamente - 04.02.2012

Rio Moscou, ao lado da Praça Bolôtnaia, congelado e cheio de neve a
18 graus negativos no sábado (4)

Os rapazolas do "Pútin e os Soldados Paraquedistas"...

... novo hit da internet, o grupo de veteranos conseguiu mais de
1 milhão de visualizações em quatro dias com o vídeo abaixo:


Paródia de uma música russa, a letra virou um hino da oposição, pedindo que
o primeiro-ministro "olhe nos olhos e deixe seu mandato".

Agora vocês acreditam que estava frio? Todos os jornalistas bigodudos
andavam de lá para cá com os pelos congelados assim!

A ala da terceira idade sempre fica bem de frente para o palco.

Iliá Iáshin, da Frente de Esquerda

O Grigóri Iavlínski, do partido Iábloko, estava ali com o bração levantado
no final do comício e jogaram uma bolinha de papel nele. Mas ele
foi forte e não chorou, nem chamou a ambulância ;)

O blogueiro-ativista-candidato-a-candidato-e-advogado Aleksêi Naválni ali
no topo da escada com sua uchanka, esse gorrinho com
orelhas embutidas. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sob frio, 100 mil saem às ruas contra Putin

Protestos na capital russa ocorrem a quase um mês de eleições; aliados também fazem manifestação paralela


Projeção de pesquisa aponta atual premiê como favorito; oposição reclama de falta de liberdade e de fraudes

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU

Mais de 100 mil pessoas saíram ontem às ruas de Moscou, na Rússia, para protestar contra as fraudes nas eleições parlamentares de dezembro passado e pedir a renúncia do premiê e candidato à Presidência, Vladimir Putin. A uma temperatura de 18º C negativos, os manifestantes percorreram 2,5 km a pé.

Enquanto a organização e a mídia contabilizaram a presença de 100 mil pessoas, o Ministério do Interior anunciou um máximo de 36 mil.

Sob gritos de "Rússia sem Putin", a manifestação teve show do grupo Putin e os Soldados Paraquedistas, formado por veteranos do Exército e sucesso na internet.

"Já não se pode mais viver com um sistema completamente corrupto, sem liberdade", disse à Folha o vocalista, Mikhail Vistítski.

O ato contra Putin não foi o único em Moscou. Segundo a polícia, cerca de 90 mil se reuniram "por eleições justas, mas contra uma revolução laranja", abertamente pró-Putin.

O país terá eleições presidenciais no dia 4 do mês que vem, e o primeiro-ministro aparece na frente nas pesquisas de intenção de votos.

Segundo levantamento feito em janeiro, 52% dos eleitores votarão nele.

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Na Folha de S.Paulo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"Em vez de matar, agora prendem", diz oposicionista russo

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU

No dia 31 de dezembro, uma semana depois do protesto que reuniu cerca de 100 mil pessoas na capital russa pela anulação das eleições parlamentares, o político oposicionista Eduard Limonov, 68, foi preso quando descia do carro para realizar mais uma demonstração da oposição, a ação Estratégia-31.

 Liberado alguns minutos antes do Ano Novo, o líder do extinto partido Nacional Bolchevique --hoje substituído pelo não regularizado Outra Rússia-- teve negado também em dezembro seu pedido de registro como candidato independente às próximas eleições presidenciais de março de 2012.

O político, que criou alguns dos principais movimentos sociais do país na atualidade, como a Marcha dos Discordantes e o Estratégia-31, devido aos quais foi preso pelo menos 20 vezes nos últimos três anos, disse à Folha que ser oposição na Rússia é como participar de uma guerra.

Desligado da "oposição burguesa" que reuniu as massas nos maiores protestos da era de Vladimir Putin, como no dia 24, comandou uma ação na frente da Duma (câmara baixa do parlamento russo) para tentar impedir a entrada dos novos deputados que resultou em 25 detenções.



Folha - Qual foi sua ideia ao criar o Estratégia-31?

Eduard Limonov - A primeira vez que eu protestei na Praça do Triunfo foi em 31 de janeiro de 2009, ou seja, há quase três anos. A ideia era essa: em todos os meses do ano que tivessem 31 dias ir sempre para um mesmo local, e tornar realidade o Artigo 31 da Constituição, sobre a liberdade de reunião pacífica.

Manifestante nas ruas de St.Petersburg, na Rússia, após realização de eleições parlamentares Nós já tentamos há três anos, mas por enquanto não conseguimos realizar a liberdade e a reunião pacífica. É uma ideia simples, uma dramaturgia clássica: estamos em um mesmo local, no mesmo horário, todas as vezes no dia 31, toda vez na praça do Triunfo, às 18h, para que as pessoas saibam para onde ir.

Alguma vez a prefeitura de Moscou permitiu essa reunião?

Nunca permitiram, na realidade.

E te prenderam?

Sou preso todas as vezes praticamente nesses três anos. Eu não contei quantas vezes, mas já foram umas 20, com certeza.

Como você lida com isso?

Para mim tanto faz, na verdade. É uma guerra. Só não matam, em vez disso, prendem.

Num país onde se cumpre uma pena e não se é solto, ou em que assassinatos e espancamentos a jornalistas permanecem sem investigação adequada, não dá medo ser oposição?

Vocês também não têm um país ideal, por isso eu não considero assim. É nossa infelicidade esse governo Putin, é nosso desgosto, é nossa desgraça. Então a gente tenta tirá-los do poder. Matam as pessoas constantemente. A liberdade é uma coisa cara, por ela sempre se pagou muito caro, por vezes a vida.

Onde está o maior problema nas eleições russas?

Assim como outros oito partidos da oposição, o Ministério da Justiça sequer nos registrou.

Depois de apresentar os documentos para o registro como candidato presidencial, ainda tem outra etapa. Se aprovados, é preciso reunir 2 milhões de assinaturas até 18 de janeiro.

É uma tarefa impossível, o governo premeditadamente coloca candidatos independentes em situações desse gênero, em que não se pode reunir tal quantia de assinaturas de maneira honesta. Mas ainda com as assinaturas reunidas, o governo geralmente afirma que aquilo não é autêntico, e dessa maneira detêm o candidato durante seu caminho para a participação nas eleições.

Por que o senhor não se uniu com os organizadores das manifestações na praça Bolôtnaia?

Os líderes desses partidos burgueses cometeram um grande erro, ou até um crime. Eles desviaram no dia 10 de dezembro milhares de pessoas para a Praça Bolôtnaia, para uma manifestação autorizada, retirando as pessoas do centro da cidade. Por que o governo concordou com isso? Porque a Praça da Revolução, para onde inicialmente foi designado o protesto, fica a poucas centenas de metros do Comitê Eleitoral Central, da Duma de Estado, nosso parlamento, a uns 150 metros do Kremlin.

O primeiro-ministro Vladimir Putin De lá se podia caminhar 200 metros e aparecer na porta da Duma, de onde todas as exigências soariam de maneira completamente diferente. Ou seja, esse local tem importância geográfica. Mas os tontos, ou traidores, desviaram a ideia para longe, além do rio [Moscou], num lugar desconfortável e longe do centro da cidade. Apesar de estar a apenas alguns quilômetros, aquele é um lugar isolado, numa bifurcação do rio Moscou, quase uma ilha.

E foi por isso que o governo permitiu ao Boris Nemtsov levar as pessoas para lá, era lucro. Assim, o protesto do dia 10 não alcançou seus objetivos. Leram a resolução e se dispersaram, foram para casa, justo quando era preciso ir ao prédio da Comissão Eleitoral Central, ou do parlamento, e exigir o cumprimento imediato de nossas demandas, ou seja, a anulação das eleições do dia 4 de dezembro, anúncio de novas eleições livres...

Por isso já não tem nada em comum entre os líderes da burguesia e mim. Nós restamos em absoluta minoria na Praça da Revolução, a gente era meia dúzia, simplesmente. Mas isso não significa que eles estejam certos e nós não. Eles mataram a possibilidade de revolução nesse dia. Eles não tem firmeza, não são corajosos.

O que falta na sua opinião?

Era preciso ir ao prédio da Comissão Eleitoral Central, na travessa Bolshói Tcherkásski, bater na porta e exigir a imediata mudança das eleições. Com 50 mil pessoas atrás, isso teria uma grande força.

O que o senhor faria como presidente?

É muito difícil premeditar essa situação. Se fosse eleito a primeira coisa que eu faria seria mudar o efetivo do Supremo Tribunal, do Tribunal Constitucional, para que os cidadãos tivessem possibilidade de se endereçar a esses tribunais, para que após as eleições, como agora, fosse possível se dirigir ao Supremo Tribunal e esse decidisse mudar as eleições. No momento não temos isso, o Supremo Tribunal e o Tribunal Constitucional estão sob total controle do governo.

Como o senhor considera o crescimento atual de movimentos ultranacionalistas no país?

Os nacionalistas existem em todo país. Vocês também têm nacionalistas. Ou não? Em todo lugar tem. Eu lido com isso como lido com a existência de liberais, de comunistas, e também de nacionalistas. Eles têm direito de existir.

Como é sua relação com novas figuras políticas como o blogueiro oposicionista Aleksêi Naválni?

Ele é uma personalidade. Eu não o vejo como político. Eu não vejo que político ele é, e onde ele é político. Para mim ele não faz parte de alguma organização política, ele está sozinho, então como poderia ele ser político? Político não pode ser sozinho, ou ele é chefe de uma organização política, ou um membro influente de uma organização política. Uma pessoa sozinha é uma pessoa sozinha. Ele por enquanto se apresenta como um último guerreiro.

Pode-se comparar o que está acontecendo hoje na Rússia com que os países árabes passam agora?

Não só nos países árabes, já que isso começou na Europa há muito tempo, teve a revolução laranja na Ucrânia há uns 7 anos, houve revoluções na Geórgia, até no Quirguistão, na Moldávia, em todo lugar.

Qual sua opinião sobre a política externa russa em relação aos países da primavera árabe, como a Síria?

No Egito e na Tunísia foram verdadeiras revoluções populares que tomaram lugar. Na Líbia o que houve foi um golpe de Estado, uma insurreição organizada por países ocidentais, e na Síria também. Por trás desses conflitos está o Ocidente, que há muito tempo queria trocar o Bashar Assad, como também queria trocar o Gaddafi. É a aniquilação dos últimos regimes socialistas no mundo árabe, porque na Síria lidera o partido Baaz, que é socialista, e o Gaddafi também era socialista.

Mas acontece que lá se vive sob completa ditadura...

Isso é conversa fiada. São costumes dos regimes do Oriente Médio. Lá o governo sempre foi um pouco diferente. Não se pode esperar que o lugar se transforme em uma Itália, isso não vai acontecer. É um regime correspondente a determinadas tradições desses países. Eles nunca viveram como a Europa, nunca serão a Holanda, nunca se tornarão uma Dinamarca. São outros países, têm sua próprias particularidades e, assim como a China, nunca viverão como a Europa vive.

Então a Rússia também não?

E a Rússia também não, claramente, apesar de em menor nível de diferença.

Como você considera a queda da União Soviética?

É uma tragédia, claro. A queda de qualquer grande Estado sempre é uma tragédia, como a queda do Império Britânico também foi uma tragédia para os britânicos. Isso é normal. Não é nada bom.

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Na Folha Online.

Nova geração lidera manifestações de oposição ao governo Putin

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU

Uma nova geração de manifestantes, popular nas redes sociais e sem ligação com os principais partidos, está à frente dos protestos realizados na Rússia desde as eleições parlamentares que, no início de dezembro, deram maioria ao partido do primeiro-ministro Vladimir Putin.

 Opositores que já tomavam a cena na internet russa, como o blogueiro Aleksêi Naválni e o líder da organização Solidarnost ("solidariedade"), Iliá Iáshin, ganharam mais visibilidade na mídia e adesão pública após serem presos nas manifestações.

 Naválni, por exemplo, pulou de 60 mil seguidores no Twitter em agosto para 170 mil em dezembro. Enquanto isso, líderes como Putin e o presidente Dmitri Medvedev, seu aliado, passaram a ser rechaçados e viraram alvos de faixas e gritos de guerra que pediam suas demissões.

 "Nós, a geração mais jovem, que somos a grande maioria nos protestos, esperávamos mais e melhor, como nos foi prometido quando a União Soviética caiu, e é isso que estamos exigindo", diz o estudante de direito Viatcheslav Tsener, 20 anos.

Dmitry Lovetsky/Associated Press
Manifestante nas ruas de St.Petersburg, na Rússia, após realização de eleições parlamentares
Manifestante nas ruas de St.Petersburg, na Rússia, após realização de eleições parlamentares
Proclamando-se liberal, Tsener defende que Naválni --que não é candidato às eleições de março deste ano-- seja eleito presidente.

ACUSAÇÕES DE FRAUDE

A internet também teve papel importante na exposição das alegadas fraudes na eleição parlamentar russa.

Entre as denúncias e os vídeos feitos por observadores independentes no dia 4, havia mesários preenchendo cédulas em favor do partido governante, o Rússia Unida, e canetas que se apagavam.

Em 5 de dezembro, um dia após o pleito parlamentar, cerca de 7.000 pessoas saíram às ruas de Moscoul para protestar contra fraudes.

 Mas, em vez de organizar novas eleições, Medvedev declarou que os vídeos postados na internet não eram "confiáveis". Além disso, houve prisões maciças de manifestantes durante protestos pacíficos, sob a alegação de que os eventos não eram autorizados pela prefeitura.

"As eleições foram o estopim, mas não o problema central que ocasionou esses movimentos. Se assim fosse, seria só realizar eleições mais justas, ou mudar os resultados", disse à Folha Nikolai Petrov, analista político do Carnegie Center de Moscou.

"O problema não está nos líderes, mas nas instituições. Acho que a situação só mudará quando a 'persona-líder' deixar de ser tão importante e passar a haver instituições livres no país", acrescenta.

CALDEIRÃO DA OPOSIÇÃO

Ainda em dezembro, houve outras três manifestações contra o processo eleitoral.

Porém, com a forte repressão policial e as detenções dos primeiros protestos, a heterogênea oposição russa decidiu se unir e acatar as resoluções da prefeitura.

O Executivo de Moscou determinou que os atos fossem marcados para áreas mais distantes do Comitê Eleitoral Central e da Duma (Câmara russa), como a praça Bolôtnaia, onde manifestações no mês passado reuniram cerca de 50 mil pessoas.

Enquanto o político e escritor esquerdista Eduard Limonov afastou-se, opositores tão distintos como o liberal-nacionalista Naválni, o social-liberal Iáshin e o ex-premiê Boris Nemtsov tomaram juntos as rédeas dos eventos do mês passado.

"Hoje, entretanto, não há partidos ou políticos na oposição que gozem de confiança absoluta e popularidade entre os manifestantes", acredita o analista Petrov.

Mas, enquanto não há acordo entre as visões políticas da oposição, também não há divergências que a impeçam de protestar unida. A heterogeneidade desse caldeirão chegou ao ápice durante sua última manifestação de dezembro, no dia 24.

Lado a lado, no público estimado em 100 mil pessoas havia alas de ultranacionalistas, esquerdistas, liberais, "hipsters" e aposentados. Entre os porta-vozes do evento, a cena se repetiu: o enxadrista russo Garry Kasparov dividia a cena com o ultranacionalista Vladímir Tor, idealizador da "Marcha Russa", a apresentadora da versão russa do programa de TV Big Brother, Ksênia Sobtchak, e o ex-ministro das Finanças Aleksêi Kúdrin.

De acordo com Petrov, as fortes personalidades da oposição correm o risco de repetir os erros dos governistas.

"No governo, há muitos líderes e nenhum contrapeso. Se esse elemento não surgir, os próximos líderes seguirão os mesmos passos que, de início, deram em Ieltsin e, depois, em Putin", arremata.

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Na Folha online.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Da Ucrânia, jogador Dentinho festeja a chegada do primeiro filho

Produção para o Fantástico de 08/01/2012.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

BBB da Prisão


Aproveitando a revolta brasileira contra o BBB, divido minha descoberta de anteontem à noite, completamente ao acaso, do "BBB da prisão",  como resolvi intitular a coisa. "Djentlemeni na datche" (em russo, "Gentlemen na casa de campo"), é um reality show produzido pela ucraniana ICTV em russo e transmitido na Rússia, desde a última segunda-feira (16), pela TV Pérets.

Nele, um grupo não de piriguethys e Ricardões, mas de dez ex-presidiários, é reunido numa datcha (casa de campo), ganha novas roupas, trabalho, aulas de inglês, de etiqueta. Enfim, como eles mesmos colocam, uma nova chance na vida. Um detalhe importante é que no programa não são admitidos estupradores e assassinos, segundo a produção. Para outras categorias do crime as portas estão abertas.

No primeiro episódio, cada um se apresentou e um deles até ensinou alguns truques para bater carteira #fica-a-dica. Além da experiência visual sócio-antropológica, o programa é um exemplo de como a TV russa (ok, do Leste europeu!) às vezes tira da manga uns truques revolucionários. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Só no sapatinho em Moscou

Foto: Pablo Frederico
Uma babushka muito brasileira caminha pela zona sul moscovita....

domingo, 8 de janeiro de 2012

Brasileiro que morreu afogado na Rússia esperou 20 minutos por ajuda

Na última sexta-feira (6), o estudante paulista Rafael Lusvarghi voltou ao lugar onde morreu seu colega de faculdade, Henrique Vasques de Haro, de 20 anos. Produção para o Fantástico de 08/01/2012.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Gazeta Russa (Jan. 2012)


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sábado, 31 de dezembro de 2011

Protesto em Moscou na véspera de Ano Novo resulta em 60 prisões

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU

De acordo com dados da polícia, cerca de 60 pessoas foram detidas na noite deste sábado, no centro de Moscou, durante o Estratégia-31, protesto realizado todos os dias de número 31 na Praça do Triunfo, no centro de Moscou, para defender o artigo de mesmo número da Constituição russa, que garante o direito de reunião.
Entre os detidos estava o líder do partido não registrado Outra Rússia, Eduard Limonov, idealizador do Estratégia-31. "Limonov foi preso junto com mais quase cem pessoas", disse à Folha o porta-voz do Outra Rússia, Aleksandr Averin. "Ele chegou em seu carro e foi preso logo em seguida. Agora ele está no DP Tverskaia", completa.
O protesto, que já é realizado há dois anos na capital russa, não foi autorizado pela prefeitura da cidade, e já se tornou conhecido por suas detenções massivas.
Ivan Sekretarev/Associated Press
Policiais russos repreenderam menifestantes e detiveram ao menos 60 em protestos neste sábado em Moscou
Policiais russos repreenderam menifestantes e detiveram ao menos 60 em protestos neste sábado em Moscou
O ativista Igor Tarasov, que foi detido no dia 5 de dezembro junto com o ativista e blogueiro Aleksêi Naválni e já havia passado 15 dias preso também foi detido novamente.
"Espero que o soltem e que ele passe o Ano Novo em casa", escreveu Naválni em seu Twitter por volta das 20h de sábado.
Em São Petersburgo, ação paralela resultou na prisão de pelo menos dez pessoas.
Na última quinta-feira (29), um protesto não autorizado na Praça Pushkinskaia, a dois quarteirões da Triunfalnaia, liderado pelo deputado Iliá Ponomariov (Rússia Justa) terminou de maneira pacífica e sem detenções.
Os manifestantes pediam a liberdade dos presos políticos do país, e em especial do ativista Serguêi Udaltsov, líder da organização Frente de esquerda que foi preso no dia 4 de dezembro em uma manifestação pela anulação das eleições parlamentares daquele dia.
Na Praça do Triunfo, a maior parte dos detidos usava fitas brancas, símbolo dos últimos protestos pela anulação das eleições, e pedia pela libertação de Udaltsov, que cumpriu os dez dias a que foi condenado mas permanece preso.
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Como não é - mas foi - um protesto não autorizado em Moscou


Ontem à noite, cerca de 500 pessoas se reuniram na Praça Puchkinskaia para pedir a liberdade de Serguêi Udaltsov, ativista político esquerdista que foi preso ao participar de um protesto não autorizado no dia 4 de dezembro contra as eleições parlamentares que ocorriam naquele mesmo dia. Condenado a 10 dias de prisão, Udaltsov fez greve de fome, foi hospitalizado, e depois condenado a mais 25 dias de prisão.
O protesto de ontem tampouco foi autorizado, mas assustava pela paz que reinava no lugar. Ao contrário do evento no dia das eleições e outros posteriores, ninguém foi detido. Wind of change soprando na Rússia?

domingo, 25 de dezembro de 2011

Magia e Tchaikovsky fazem a fama de balé


Tradicional no Natal, 'O Quebra-Nozes', inspirado em conto de E.T.A. Hoffman, é a peça mais montada no mundo
No Brasil, Municipal do Rio de Janeiro e Cisne Negro apresentam anualmente grandes produções da obra
JULIANNA GRANJEIA
DE SÃO PAULO
Colaborou MARINA DARMAROS, de Moscou  

Desde o início do século 20, o balé "O Quebra-Nozes" -a história dançada de um boneco de quebrar nozes que se torna um príncipe- lota teatros em todo o mundo nesta época do ano.
Cada companhia faz sua adaptação do conto "O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos" (1816), de E.T.A. Hoffman, mas o enredo é o mesmo: a menina Clara (também chamada Marie em algumas versões) ganha um quebra-nozes do padrinho mágico, Drosselmeyer, na noite de Natal. Mas seu irmão, Fritz, estraga o brinquedo.
Drosselmeyer conserta o boneco e Clara adormece. Em sonho, o quebra-nozes se torna um príncipe que, após uma batalha contra ratos, a leva para um reino encantado em que doces, flocos de neve, flores e uma fada dançam para o casal.
A música -uma das obras-primas de Tchaikovsky- é uma das razões do sucesso do espetáculo.
O coreógrafo Marius Petipa deu início à montagem do espetáculo, mas adoeceu e encarregou Lev Ivanov de finalizar a coreografia.
A peça estreou em 1892 com o Balé Imperial da Rússia, no Teatro Mariinsky, em São Petersburgo. "É um balé muito popular, talvez o que tenha a maior quantidade de montagens e de coreógrafos. E cada um tenta montá-lo do seu jeito", explica a crítica de balé russa Anna Galaida.
"É uma tradição de Natal. Mas a história desperta o interesse dos espectadores em qualquer época do ano", afirmou àFolha o diretor do Teatro Mariinsky, Iuri Fateev.
Além da versão russa, "O Quebra-Nozes" do coreógrafo George Balanchine para o New York City Ballet também é mundialmente famoso.
"Apesar de ter tomado certas liberdades, Balanchine se manteve muitíssimo fiel à versão original do século 19, combinando estilos", afirmou a diretoria do NYCB. A companhia encena a peça 45 vezes por ano e tem no cenário uma árvore de uma tonelada e 41 metros de altura.
no brasil
A versão brasileira mais tradicional é a da coreógrafa Dalal Achcar. É dela a montagem apresentada até hoje, e que está em cartaz no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (leia ao lado).
"Em 1981 me convidaram para dirigir o Municipal e montar 'O Quebra-Nozes'. Nos anos 90, a revista 'Newsweek' fez uma pesquisa com 1.000 montagens e considerou a nossa como a melhor e mais completa."
Ela explica que, em sua versão, o primeiro ato é mais teatral. "A diferença entre as versões está principalmente na primeira parte, quando é possível interpretar a festa de Natal e a batalha dos ratos de maneira mais livre. O segundo ato é coreográfico e varia pouco."
Ana Botafogo, que está comemorando 35 anos de carreira, dança o balé há mais de 30 anos e diz que não enjoa. "A Fada é uma personagem que toda bailarina pode colocar um quê pessoal."
Já em São Paulo, quem mantém a tradição há 28 anos é a Cia. Cisne Negro, com a coreografia de Hulda Bittencourt. "'O Quebra-Nozes' permite brincar com o imaginário. É romântico, lírico, infantil, mas ao mesmo tempo não é só para crianças. Todo ano o público se emociona."
A enóloga Flávia Saldanha Correa, 42, que foi ver a montagem da Cia. Cisne Negro com o marido e dois filhos, confirma o encantamento: "Já conhecíamos a história, mas nunca tínhamos visto sua encenação. Ficamos maravilhados."
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Putin vira alvo de novo protesto em Moscou

Oposição conta 100 mil manifestantes nas ruas da capital russa contra fraude eleitoral

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE MOSCOU


Dezenas de milhares de russos foram às ruas da capital Moscou ontem para um protesto não apenas contra as últimas eleições parlamentares, que dizem terem sido fraudadas, mas também pelo fim da influência do premiê Vladmir Putin.
Os manifestantes gritavam frases como "Rússia sem Putin" e "novas eleições".
Os organizadores estimam entre 100 mil e 200 mil pessoas nas ruas da capital -mais do que o megaprotesto de 10 de dezembro, que reuniu 50 mil e foi tido como o maior da era Putin.
O Ministério do Interior, contudo, falou em 29 mil manifestantes no protesto.
O alto comparecimento em um dia de temperatura muito baixa, -5ºC, encorajou os organizadores da manifestação de ontem.
"Eu vejo pessoas suficientes para tomar o Kremlin e a Casa Branca [sedes do governo] agora mesmo", disse o blogueiro Alexei Navalny, um dos líderes do movimento.
"Acredito que as pessoas que se reuniram querem viver em outro país, e enquanto a Rússia estiver concentrada em Putin, os protestos continuarão", disse à Folha o enxadrista Garry Kasparov.
Mikhail Gorbachev, que comandou as reformas que culminaram na dissolução da URSS em 1991, declarou a uma rádio que Putin "deve partir agora".
Entre os manifestantes menos conhecidos, o fazendeiro Vladimir Ivanov, 70, se ocupava em entregar cópias do seu livro "Putin deve sair do poder".
PACÍFICO
Muitos dos manifestantes usavam fitas brancas, símbolo do protesto, e outros carregavam balões e bandeiras que representavam liberais, nacionalistas e os jovens.
Ao contrário dos primeiros protestos, quando houve confrontos com as forças de segurança e ao menos 300 presos, a marcha de hoje ocorreu de forma pacífica.
"O último protesto causou uma grande impressão e eu quero que outros percebam que podem defender seus direitos", disse Andrei Chernyshov, estudante de 22 anos.
Os manifestantes dizem que o Rússia Unida, que venceu as eleições parlamentares, se beneficiou de irregularidades e monitores internacionais disseram que há indícios de favorecimento.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, prometeu esta semana reformas eleitorais, em um evidente esforço para conter os manifestantes.
Já Putin, que serviu como presidente de 2000 a 2008 e desde então ocupa o cargo de premiê, nega fraudes e parece não se abalar. Ele já formalizou sua candidatura a presidente em 2012.
"Protestamos para que 4 de março seja o renascimento de uma nova Rússia", afirma Kasparov, sobre a data da eleição presidencial.
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sábado, 24 de dezembro de 2011

Jingle Bells, Prospekt Sakharova

Cerca de 100 mil se reuniram hoje (24) na avenida Prospekt 
Sakharova, em Moscou, pela anulação das eleições.

No metrô, panfleto do protesto Por Eleições Justas
Não é o Chaves, não, é o enxadrezista e opositor
Garry Kasparov mesmo
Os russos têm capricado nos cartazes
Detalhe para a camisinha envolvendo Pútin. Ele disse que
as fitas brancasusadas pelos opositores pareciam
aquelas do combate à Aids. Virou
pretexto para a oposição chamá-lo pelo nome do vírus.




Velhotes nacionalistas pela anulação das eleições
"Tcheburatchka por eleições justas!"



"A Rússia será livre! Por eleições livres!"












"Eu não sou a Sveta de Ivánova", diz o cartaz da Anna,
de Moscou,gozando de um vídeo que tornou-se viral:
http://www.youtube.com/watch?v=24XBX0Wkmpw